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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Despedida Prematura

por aspalavrasnuncatedirei, em 13.03.09

 

Olá meninos (as). Desde Setembro que temia a chegada deste dia e vocês também sabiam que eu estava apenas a substituir a Professora P. e que mais tarde ou mais cedo me iria embora. Estes últimos dias de aulas foram extraordinariamente tristes e difíceis para mim. Deixo para trás uma Escola onde fui bem recebida, despeço-me de colegas e de novos amigos… e o pior de tudo… digo adeus a cada um dos "meus meninos". No meio desta minha angústia, tenho lamentado a profissão que escolhi, tenho-me perguntado se vale a pena tantos sacrifícios por uma profissão que não é minimamente reconhecida ou valorizada, se vale a pena continuar a insistir em concretizar este sonho. Quero pedir desculpa se não correspondi às vossas expectativas, lamentar se não consegui fazer-vos gostar da minha disciplina, se não fui capaz de ensinar como vocês gostariam de aprender. Sei que não agradei a “Gregos e a Troianos”, que vocês não gostaram dos ralhetes que vos dei, mas acreditem, a intenção foi a melhor possível, acima de tudo tentei sensibilizar-vos que vivemos tempos difíceis onde só os melhores triunfam e que se vocês decidirem preguiçar agora, vão pagar uma factura muito cara daqui a uns anos. Eu acredito que a vossa geração fará a diferença, confio na vossa sensibilidade e sabedoria para construírem uma sociedade melhor e foi por isso que fui sempre tão exigente. Quero também agradecer-vos a forma carinhosa com que sempre me trataram, os sorrisos, os olhares cúmplices e principalmente, agradeço-vos tudo o que aprendi convosco. A maior lição que vocês me ensinaram, aprendi-a ao longo desta semana, através das múltiplas manifestações de afecto - cada uma das vossas lágrimas, dos vossos abraços e dos vossos mimos, ensino-me que não tenho de ter medo do futuro, que não devo desistir da profissão que escolhi, pois se vocês, que são aqueles que melhor conhecem e têm condições para avaliar o meu trabalho me dizem que fui uma das melhores professoras que tiveram, que vão ter saudades minhas e que gostam de mim… então fico com a certeza que estou no meu caminho e que vale a pena qualquer sacrifício para continuar a ensinar. Peço-vos ainda que recebam a Professora P. com a mesma alegria e com o mesmo carinho com que me receberam. Dêem-lhe a oportunidade de vos demonstrar que é uma boa professora, sejam solitários com o facto de a minha colega ter estado afastada do ensino durante três anos, passou por momentos difíceis e dolorosos enquanto este ausente, mas que agora tem muita vontade de ultrapassar todas as barreiras e recuperar o tempo perdido. A P. não me foi substituir a mim… fui eu que a substituí a ela… o horário não me pertencia… era dela, por isso, está apenas a ser restaurada a ordem natural das coisas e cabe a cada um de nós aceitar. Também ela ficou triste quando saiu da nossa sala e viu que vocês estavam a chorar por causa da minha partida e, de alguma forma, isso causa-lhe uma sensação de mal-estar. Assim sendo, aqui fica o meu pedido para que sejam para a vossa nova professora de Português o que sempre foram para mim: Pessoas Fantásticas. 10ºA, 10ºB, 10ºC, 10ºD1, 10ºD2, 10ºE da Escola Secundária do Cartaxo vocês são os melhores alunos que um professor pode ter. Beijinho muito grande e até sempre.

  


Deixa O Mundo Girar - Polo Norte

Memórias dos Pantufinhas Emprestados

por aspalavrasnuncatedirei, em 07.02.09

 

Criança triste nos braços da mãe

Imagem Retirada da Internet

 

 

Pedi aos meus alunos na última aula que elaborassem uma memória a propósito do discurso autobiográfico que estou a leccionar. Sugeri-lhes que fizessem um texto sobre o melhor momento das suas vidas, ou o pior, ou ainda o mais divertido. Não havia restrições, não havia limites, apenas eles, os seus sentimentos, a folha de papel e a caneta. Disse-lhes ainda que manteria sigilosos os trabalhos, se assim o desejassem. O objectivo desta actividade era fazer com que aplicassem as características que tinham aprendido sobre o texto memorialístico, entrassem nos seus corações, transmitissem os seus sentimentos e analisassem a importância do acontecimento escolhido nas suas vidas. Nada me preparou para o que iria ler a seguir… Levei os trabalhos para casa e li aqueles que diziam “confidencial”. Ainda me custa a acreditar no que li… Os meus Pantufinhas Emprestados, apesar de terem acabado de entrar na adolescência, são em grande número marcados pelo sofrimento (que eu desconhecia por completo) e têm uma alma extraordinariamente sensível (mas isso eu já sabia). Alguns deles exorcizaram os seus maiores desgostos de uma forma que nunca me tinha sido dada a ler. Estes miúdos desabafaram sobre a morte de alguém que lhes foi muito querido e sobre doenças que teimam assombrar os seus lares. Uns relataram a tristeza que sentiram quando os pais se divorciaram e que também os invadiu quando voltaram a constituir uma nova família. Outros descreveram os maus tratos a que foram sujeitos por parte dos progenitores, e a vida familiar marcada pela violência doméstica, pelas agressões e espancamentos que vitimam as mães. A Matilde recordou episódios em que o pai espancava mãe na presença dos filhos, e quando os seus ataques de loucura eram intensos, acabava também por estender a violência a ela e aos irmãos. Li uma história de uma aluna que recordou uma situação vivida aos 5 anos quando assistiu ao abuso sexual de uma outra criança, que na sequência desse acto foi encontrada morta. Fiquei com o coração apertado de tantas desgraças que li. Na aula de hoje era suposto eu ler os trabalhos, mas apenas dos alunos cujos textos não fossem “confidenciais”. Tencionava corrigi-los a nível da forma e do conteúdo e tecer considerações sobre os aspectos positivos e aqueles que precisavam ser melhorados. A turma estava muito receptiva à actividade, as memórias que ia lendo falavam dos mais variados assuntos: as Verões inesquecíveis que já tinham vivido, a cumplicidade com os amigos, as tropelias da infância, a primeira bicicleta, o primeiro beijo. No meio dos papéis surgiu-me o trabalho da Teresa cujo texto me fizera chorar na noite anterior e informei os colegas que não o iria apresentar. Apesar do “confidencial” escrito na sua folha de papel, a aluna pediu-me para o ler. Senti a voz a abandonar-me e o fio que restou a tremer. Lentamente começo a leitura da memória do funeral da sua mãe: o som do rebate dos sinos, a cova escura para receber o seu corpo, o choro de desespero dos familiares mais próximos. Doeu-me ler a tristeza que sentia por perder a mãe, mas também a amargura por perder a juventude em prol do apoio que tem de dar ao pai e aos irmãos. A Teresa cuida da casa e da família, herdou da mãe a responsabilidade de dar sentido e continuidade à vida daqueles que a rodeiam. Em plena aula, as lágrimas desceram silenciosas pelo meu rosto… não as consegui esconder. Depois disto, também o Lourenço me pediu para ler o seu texto. Em duas tristes páginas este aluno descreve a primeira coisa que faz ao acordar - beijar a fotografia que se encontra perto da cama. O rosto que recebe o beijo é o da sua mãe também falecida. Linha a linha descreve a forma como recebeu a notícia, a falta que a presença materna lhe faz, as saudades que sente. «-Como vou crescer sem o seu abraço, sem os seus beijos sem os miminhos da minha mãe?»  perguntava ele em pequenito. Termina com a ideia que é nos sonhos que a encontra e que a sente mais próxima. As lágrimas continuavam a deslizar pelo meu rosto e aquele texto singelo contagiou toda a turma, não só o Lourenço chorava, como a grande maioria dos seus amigos se emocionaram com a descrição da sua dor. Um outro trabalho que me tocou profundamente foi o do Alberto que explicava a forma como a Ritalina alterou a sua vida, lembrava-se das alucinações que sentiu aquando da primeira toma, da estranheza de emoções que o medicamento lhe desencadeou. O que mais me sensibilizou naquela leitura foi o facto de ele reflectir sobre o facto de se sentir viciado: a ressaca quando não a toma, o corpo a acusar a necessidade e a pedir-lhe mais. Interrogava-se sobre se deveria ou não continuar medicado, se não lhe estaria a fazer mais mal que bem, se não seria melhor procurar noutro sentido a solução para a agitação do seu corpo e da sua mente. Quando a campainha tocou, tinha o coração apertado mas transbordante de afecto por estes Pantufinhas Emprestados que crescem cada vez mais infelizes e sem um farol que os guie. No livro das minhas memórias também fica registada esta aula, em que estivemos tão próximos. Oxalá daqui a uns anos também eu faça parte das memórias deles, e que sejam boas memórias. É isto que sou, é isto que faço. Ser professora faz parte de mim, da minha alma, da minha essência.

(todos os nomes utilizados no post são fictícios)

 

 


How Could an Angel Break My Heart - Toni Braxton

 

Entre Mim e Eu

por aspalavrasnuncatedirei, em 19.01.09

 

 

Imagem Retirada da Internet

 

Entre mim e eu existia uma criança sonhadora, cheia de maternos afectos e mimos, simultaneamente abundante em ausências e saudades paternas. Dali cresceu a filha que sempre quis agradar, que nunca quis desiludir ninguém, que desejou sempre corresponder às expectativas, honrar os sacrifícios, e hoje há apenas a pessoa que necessita ser aceite e amada, tal como é. Entre mim e eu uma Cinderela de sapatos de salto alto, vestido elegante, pescoço perfumado, caracóis ao vento, e uma Gata Borralheira de pantufas de lã, camisola grosseira de malha, óculos graduados na ponta do nariz e rabo de cavalo a galope. Encontro algures neste invólucro que habito a professora inovadora, atenta às dificuldades e angústias, próxima dos sorrisos, crente que a escola se faz de pessoas e afectos, e a docente rigorosa com os deslizes, implacável com os erros, pouco permissiva com as faltas de educação e incrédula para com tantas reformas e remodelações. Entre mim e eu a esposa perfeita, de casa imaculada, roupa engomada, comida na mesa ao badalar do relógio, tudo isto acompanhado pelo sorriso, pelo beijo à entrada da porta, pela vontade de ser e fazer feliz, e a mulher exausta de ser tão exigente para com ela própria que recusa descansar, por achar que é sinal de fraqueza. Entre mim e eu vive uma a namorada sorridente, senhora do seu nariz, detentora única da sua liberdade, que adora momentos românticos, pequenas surpresas, viver as situações com paixão e a companheira que precisa estar sozinha, fechar-se no casulo para se sentir a ela própria. Entre mim e eu há uma mãe amorosa que se divide em atenções, multiplica em mimos, que se diverte com as brincadeiras, compreende as tristezas, e acima de tudo, dedicada às suas vidas. Mas há também uma progenitora exigente com comportamentos, austera com as birras e rígida com as atitudes. Entre mim e eu vive um ser muito feminino que gosta do que o espelho reflecte, dos centímetros a mais no andar de baixo, dos centímetros a menos no andar de cima, do nariz pequeno, das mãos e pés minúsculos e há um patinho feio, em guerra com a balança, de relações cortadas com doces e gorduras, de olhos esbugalhados perante os Michelin que se acumulam na barriga, as cordas que marcam os cantos do rosto, os fossos que se abrem debaixo dos olhos. Entre mim e eu... tantas certezas, tantas dúvidas, sei apenas que há uma mulher.

 


Essa Miuda - Jorge Palma

 

Faz Frio

por aspalavrasnuncatedirei, em 17.12.08

  

Imagem Retirada da Internet

 

Faz frio. A neve bate nas vidraças anunciando que o Inverno chegou e que veio para ficar. Encho a banheira com água a ferver, perfumo-a com sais especiais e mergulho. São tão poucos os momentos de silêncio, são tão escassos os momentos de tranquilidade e naquela água fumegante há todo um Universo de energias a recuperar. Invade-me uma sensação de calor e prazer, toda a minha fadiga se dissolve naquela temperatura, todo o meu corpo agradece o conforto. No leitor de CD toca Sting confirmando aquilo que há muito tempo sei… How fragile are we are. Saio da banheira e mimo o meu corpo com óleo de canela previamente aquecido, um aroma adocicado envolve todo o quarto. Massajo cada centímetro de pele, hidrato um pouco da minha auto-estima. Esqueço as imperfeições, ignoro os centímetros a mais, esqueço os centímetros a menos e valorizo o meu corpo naquilo que é… naquilo que eu sou. Faz frio. Aqueço o meu chá verde com jasmim, coloco as almofadas no chão e meto mais lenha na lareira, deixo que a manta de pêlo de ovelha me abrace, fecho os olhos e agradeço… incendeiam-se na lareira os episódios da minha vida: a infância, a adolescência, os amigos de outrora, os amigos de hoje, os amigos de sempre. A família mais próxima, aqueles que já partiram e aqueles que mesmo longe, estão sempre perto. Os filhos… o nascimento, o primeiro sorriso, o primeiro abraço, o primeiro «mamã». Faz frio… o meu coração vai aquecendo ao lembrar os degraus que subi, os patamares que alcancei, os trambolhões que dei. Curiosamente, a cada ferida lambi o sangue, a cada nódoa negra espalhei a pomada, a cada queda ergui-me novamente. Não sei onde me agarrei, de que muleta me servi, só sei que encontrei energia para olhar em frente e continuar a subir. Faz frio… não interessa a temperatura que faz lá fora, interessa o que eu sinto cá dentro. Fecho os olhos… o lume apaga-se suavemente… o chá arrefece… adormeço…

 


Fragile - Sting & The Police

Ensino em Portugal - Visto Pelos Pais

por aspalavrasnuncatedirei, em 20.10.08

 

 

A minha caixa de correio electrónico é diariamente entupida por e-mails relacionados com as polémicas da educação. Esta carta de uma Encarregada de Educação dirigida à Ministra foi sem dívida o melhor que li. Desconheço a autoria, mas está genial.

 

Colegas: que vos faça rir.

Pais: que vos faça reflectir…

 

Ema. Sra. Ministra: 

1. Logo depois de ter lido aqueles documentos sobre a avaliação dos professores, pensei como lhe deveria agradecer, Srª Ministra. Afinal, aquelas horas passadas diariamente junto do meu filho a verificar se os cadernos e as fichas estavam bem organizados, a preparar a mochila e as matérias a estudar para o dia seguinte, a folhear a caderneta escolar, a analisar e a assinar os trabalhos e os testes realizados nas muitas disciplinas, a curar a inflamação de uma garganta dorida pela voz de comando 'Vai estudar!' ou pela frase insistentemente repetida, de 2ª a 6ª feira: 'Despacha-te, ainda chegas atrasado!' ou o incómodo e o tempo perdido para o levar diariamente à Escola, percorrendo, mais cedo do que seria necessário, um caminho contrário àquele que me conduziria ao meu emprego, tinham finalmente, os seus dias contados. Doravante, essa responsabilidade passaria para a Escola e, individualmente, para cada um dos seus professores. Finalmente, poderei ir ao cinema, dar dois dedos de conversa no Café do Sr. Artur, trocar umas receitinhas com a minha vizinha (está entrevadinha, coitadinha!) ou acomodar-me deliciosamente no sofá da sala a ver a minha telenovela brasileira preferida.

2. O rapaz ainda me alertou para os efeitos das faltas o conduzirem à realização de uma prova de recuperação. Fiz contas e encolhi os ombros - poupo gasóleo e muitos minutos de caminho, de tráfego e de ajuntamentos. Afinal, ele até é esperto e, se calhar, na internet, encontra alguns trabalhos ou testes já feitos... Sempre pode fazer 'copy - paste'...

Efectivamente, as provas de recuperação parecem-me a melhor solução para acabar com a minha asfixia matinal e vespertina. Ontem, a minha vizinha da frente, que tem dois garotos na escola do meu, disse-me que, se ele continuar a faltar, o vêm buscar a casa, e que, no próximo ano lectivo, os professores vão tomar conta deles depois das aulas.

3. Oiro sobre azul. Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem apresentar queixa junto das autoridades policiais. Ao Sábado, Srª Ministra, podiam ocupá-los com actividades desportivas ou de grupo, teatro, catequese, escuteiros, defesa pessoal...

4. O ideal mesmo era que os pudéssemos ir buscar ao Domingo, só para não se esquecerem dos rostos familiares. O meu medo, Srª Ministra é aquela ideia que a minha vizinha Sandrinha, aquela dos três garotos, comentava hoje comigo. Dizia-me que a Senhora Ministra quer criar o ensino doméstico. Eu acho que ela deve ter ouvido mal ou então confundiu o jornal da SIC com aquele programa da troca de casais do canal 24. Eu acho que isso não vinga em Portugal, porque não temos a extensão de uma América do Norte ou de uma Austrália e, por outro lado, tinha que comprar e equipar os VEI (veículos de educação itinerante), o que iria agravar mais o deficit das contas públicas e o insucesso dos nossos miúdos. Foi isso eu disse à Sandrinha. Acho que ela deve estar enganada. Logo agora, que podemos respirar de alívio porque não temos que nos preocupar com a escola dos garotos, essa ideia vinha destruir tudo, porque os obrigava a ficar em casa para receberem os VEI e aos pais ainda iria ser exigido algum acompanhamento.

5. A Senhora faça aquilo que decidiu e não oiça o que os inimigos dos pais e das mães lhe tentam dizer (já agora, lembre-se da minha sugestãozita!). Assim, os professores, com medo da sua própria avaliação, passam a dar boas notas e a passar todos os miúdos e, desta forma, o nosso país varre o lixo para debaixo do tapete, porque é muito feio e incomodativo mostrarmos, lá fora, que somos menos capacitados que os nossos 'hermanos' europeus.

Já agora acrescento: obrigado pelas aulas de substituição ... graças a elas o meu filho não sabe o que é brincar ao ar livre, correr, transpirar, cair, conviver... a indisciplina saiu dos recreios para as salas de aula, e por isso mesmo agora até levo o jantar ao quarto do meu filhote..

Uma mãe e encarregada de educação agradecida

 

As Mulheres e o Amor – 1000 Frases Apaixonadas

por aspalavrasnuncatedirei, em 03.10.08

 

Imagem Retirada de Internet

 

Ainda estava a saborear a publicação da Mulher Fantástica  aspalavrasnuncatedirei.blogs.sapo.pt/97243.html quando recebi um convite para uma co-autoria de um livro com uma pessoa multifacetada que é professor, pintor, escritor e é ainda responsável por uma empresa de publicidade no Rio de Janeiro, Marco. A ideia deste livro “luso-brasileiro” é espelhar a sensibilidade das Mulheres, de todas as mulheres que queiram colaborar connosco e que queiram partilhar a sua opinião. Não é necessário, que seja o amor homem/mulher, o que interessa é que seja Amor. Pelos filhos, namorado, marido, amante, natureza, vida... A intenção é recolher, pelo menos, mil frases (sim, leram bem) mil frases femininas sobre este sentimento. Desta forma nasceria uma colectânea com a visão de diferentes mulheres: as mais novas, as adolescentes, as de meia-idade, s conservadoras, as modernas, as radicais, as solteiras, casadas, divorciadas, enamoradas… enfim, a lista poder-se-ia prolongar. Já repararam que há o livro das 1000 Ideias Para Confeccionar Bacalhau, 1000 Receitas de Carne, 1000 Receitas de Peixe, 1000 Receitas da Cozinha Portuguesa 1000 Perguntas de Marketing, 1000 Lugares Para Conhecer Antes de Morrer, 1000 Tatuagens, 1000 Canções e Acordes de Guitarra, os 1000 Heróis de Jogos de Vídeo, 1000 Perguntas e Respostas, 1000 Perguntas Sobre Futebol, 1000 Exercícios de Preparação Física…a lista é interminável, falta apenas As Mulheres e o Amor – 1000 Frases Apaixonadas. Assim sendo venho solicitar a todas as meninas e mulheres que diariamente passam por aqui a vossa colaboração neste projecto. Basta que enviem para sandra_sofiabarbosa@sapo.pt uma frase sobre o amor e coloquem a vossa profissão, idade e o nome (se assim o desejarem). A todas, desde já, o meu muito obrigada pela participação.

 

   

Joe Cocker - You are so beautifuil

A Vida Como Um Presente

por aspalavrasnuncatedirei, em 29.08.08

 

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Fim das férias de Verão. Todos os anos por esta altura sinto sempre necessidade de respirar fundo, deixar entrar um sopro divino em mim e… fazer um balanço. Talvez pelo facto da minha vida se reger por anos lectivos e não anos civis. Este ano foi… diferente… especial… pleno de acontecimentos. Aprendi tanto. Mudei tanto. Cresci imenso. Há em mim uma Mulher que não conhecia, e que agora se reflecte no meu espelho, vive na minha casa, come na minha mesa e dorme na minha cama. Olho-a com desconfiança, ainda me estou a habituar a ela. Faz-me rir, faz-me chorar e surpreende-me a cada dia que passa. Morreu a Mulher que fui e confesso… há dias em que sinto a sua falta. Era de tal forma organizada, metódica, previsível, sem novidade, acomodada, que tinha a segurança de conhecer todos os seus passos, no entanto, e por isso mesmo, os dias não eram vividos, eram programados. Mas tudo muda e o dia-a-dia ensinou-me a ver, com olhar crítico, os meus defeitos, a valorizar as qualidades, a aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos postos no horizonte com optimismo. Sei que tenho que construir hoje as estradas do meu caminho, mesmo que o terreno seja pedregoso, pantanoso… porque o dia de amanhã é incerto e que “não vale a pena fazeres planos para a vida para não estragar os planos que a vida tem para mim”. Relativamente aos que me rodeiam, percebi que ausência não significa distância, que paixão não é o mesmo que amor e que amor é aceitação. Tenho consciência que as pessoas que hoje me amam, amanhã podem vir a odiar-me… e com a mesma intensidade. Entendi que aqueles que hoje me fazem sorrir, amanhã podem vir a ser responsáveis pelas minhas lágrimas e que não importa quão bondosas e dedicadas sejam comigo, um dia destes vão desiludir-me e vou ter que viver com isso, aprender a lição e, se possível, esquecer. Sei também que mesmo que não me amem ou não me aceitem como sou, isso não significa que não seja amada ou aceite, simplesmente os outros também não são o que eu espero que sejam. No campo das emoções percebi que não se apagam com borrachas mágicas as dores emocionais, não dá para fazer de conta que não existem, mas aprende-se a viver com elas, lambem-se as feridas e acredita-se que tudo na vida acontece por uma razão e que o Universo é generoso. Descobri que levamos anos a construir relações na base da confiança, da honestidade e bastam apenas alguns segundos para deitar tudo a perder. Doeu-me ver que há amizades se fazem pelos títulos e não pelas pessoas mas felizmente também reconheço que há amizades verdadeiras que se mantêm mesmo quando erramos, mesmo quando não somos o que queriam que fôssemos e que continuam a crescer mesmo que a distância se interponha. Reconheço hoje que investi anos em coisas que hoje não têm qualquer valor e que a minha felicidade se faz de afectos e não de valores porque o que importa não é o que tenho mas o que sou. O pior de tudo foi aprender que as pessoas mais importantes da minha vida, por razões várias, desaparecem muito depressa e por isso mesmo vale a pena dizer-lhes a cada instante o que sinto, dar-lhes um beijo carinhoso, um abraço apertado porque amanhã pode ser tarde demais Descobri com discernimento que terão que passar anos até me tornar a pessoa que almejo ser e que o melhor é começar a trabalhar nesse sentido desde já. Por isso, não importa onde já cheguei, o que consegui, mas para onde vou e sabiamente sigo sem ilusões, porque só se desilude quem as cria. Aprendi que não há vencedores nem vencidos, que cada um faz o que tem que fazer, escolhe o seu caminho e nunca o faz com o intuito de magoar ninguém. Por último, percebi o verdadeiro significado da frase “Everyday is a gift, that’s why they call it, the present!”.

 

 

Intervalo - Per7ume e Rui Veloso

Saudades

por aspalavrasnuncatedirei, em 01.05.08

 

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Sento-me no chão frio da varanda e penso em ti. Não imaginas as saudades que tenho tuas. Não interessa se partiste há um minuto, um dia, um mês, só sei que o coração deu o alerta e que se encontra a sangrar mais do que é habitual. Tu não estás! (Onde estás tu?) E esta mágoa que me invade deixada pela tua ausência dá lugar às saudades…de te ver dormir, de velar o teu sono profundo com a vã ilusão que talvez sonhes comigo. Saudades…de te sorrir ao acordar e no meu sorriso ter o poder de te oferecer 24 horas plenas de felicidade. Tenho ainda saudades de te colocar um beijo ternurento de Bom Dia nas pestanas ensonadas dos teus olhos. Saudades de te abraçar, bem apertadinho, com toda a minha frágil força, abraçar contra o meu peito e sentir a pulsação dos nossos corações a bater em uníssono. Saudade, ainda, do arrepio que me percorre a pele branca sempre que te moves, sempre que te aproximas. Saudades… do gosto licoroso a que sabes quando me beijas, dos teus lábios que me despertam os sentidos e dessa tua língua que me acorda os prazeres. Tenho ainda uma saudade imensa, da imensidão azul dos teus olhos, que as nuvens invejam o tom e o mar inveja a profundidade. Saudade, sofrida, de entrelaçar os meus, nos teus dedos, amalgamando assim o toque dos corpos. Tenho saudades de coisas tão insignificantes… da mesma forma que tenho daquelas, que são e foram, as mais importantes... como a tua voz sibilante a sussurrar baixinho ao meu ouvido… o quanto me amas… o quanto me desejas… de sentir essa mão-travessa a invadir o interior da minha camisola, a deslizar segura até ao contorno do meu peito, de percorrer com avidez a silhueta do meu corpo nu. Saudades…de te sentir entrar em mim pelas janelas do meu corpo, pela porta da minha vida, pela cave dos meus medos, pelo sótão dos meus sonhos e de te sentir fechar a sete chaves todo o teu amor e atirar ao vento o cadeado.

Sozinha

por aspalavrasnuncatedirei, em 09.03.08

 

Imagem Retirada da Internet

 

O relógio na parede do quarto insiste em tiquetaquear, num compasso binário, badaladas tristes ao meu ouvido: só…zinha… só…zinha… só…zinha. Na janela batem pingos de lágrimas que as nuvens deixam cair em sintonia com os pingos de chuva dos meus olhos. A lua reflecte em sombras minguantes aquilo que foram dois corpos que se amaram e as estrelas cintilam sorrisos em ecos perdidos aos meus ouvidos. Entra o vento, sem permissão, pela porta que deixo entreaberta à espera do teu regresso e varre, sem a minha autorização, a tua presença (espectro teimoso) que ainda vagueia por aqui. Olho para o livro da minha vida e penso que será mais fácil viver e ser feliz se arrancar, uma a uma, as páginas do que vivi contigo. Então, com mãos decididas, arranco o dia em que te conheci, pico com pionés todos os beijos que te dei, corto com a tesoura as palavras que dissemos, utilizo o x-acto para afastar o teu corpo do meu. Apago, com borracha áspera, os sonhos por realizar e com um compasso desenho dois círculos afastados para cada um de nós. Como se tudo isto não bastasse meto-te debaixo do pisa-papéis para que de lá não saias, para que a tua recordação de lá não volte. E se ainda não for suficiente e se mesmo assim insistires muito, meto-te num triturador de papéis para ter a certeza que vais desaparecer de vez. Com a vida em pedaços, olho para os destroços que se espalharam pela cama… e as lágrimas percorrem salgadas a minha pele que dizias ser doce. Não quero que seja assim… dói ainda mais. Lentamente decido-me a fazer bricolage com a vida,  e com Super-Cola 3, colo cada bocadinho de ti… cada bocadinho de mim… cada bocadinho de nós… apago com fita-cola o que disse e não devia ter dito, e com corrector desfaço o que fiz e não devia ter feito. Com agulha e dedal volto a unir os nossos pedaços e com uma aguarela cor-de-rosa preparo-me para redesenhar um novo destino.

Na Corda Bamba

por aspalavrasnuncatedirei, em 19.01.08

 

Imagem Retirada da Internet

 

De manhã, coloco os pés no chão e percebo que o meu solo já não é alcatifado, sei que já não é composto por relva macia e que ali já não dorme um tapete confortável. E reconheço...não há ninguém para me dar a mão e fazer saltar da cama, não há ninguém para me ajudar a andar. Olho para o dia que se desenha à minha frente e vejo-o como uma oportunidade única. É uma dádiva da vida que me ensina a reaprender a caminhar sozinha. Assim que os meus pés tocam a aspereza da terra, consciencializo-me que tenho mais um percursso de travessia pelo deserto, mais um dia de boderline. Começo por respirar fundo e tentar encher cada célula de luz, cada poro de vida. Lentamente os meus pés, descalços e nus, sentem a instabilidade da corda bamba, sentem os picos do arame farpado a entranharem-se na minha carne ainda tenra. Pé ante pé, sigo em frente, com a cabeça erguida, olhos postos na linha do horizonte, fé consentida num nascer do sol cheio de possibilidades novas por explorar. Nunca olho para trás (de que adianta recordar as cordas percorridas?) nunca olho para baixo (de que adianta a certeza que estou a 200 metros do solo sem rede de segurança?). Em cada posição do pé, surge uma nova realidade, uma nova aventura. É a Odisseia de Homero, onde eu, Ulisses na versão feminina, combato o Ciclope Polifemo das contas para pagar, combato um exército de birras, aprendo a lidar com olhares acusadores, enfrento tempestades de queixumes de quem nada sabe, de quem nada sente. E a travessia continua… enquanto os meus pés deslizam, sangrando e frágeis, cruzo-me com outras pessoas, itinerantes também nas suas cordas. Leio nos olhos o sofrimento de uns, que tentam desesperadamente manter o equilíbrio, leio nos lábios o sorriso de outros, que lutam estoicamente para manter as aparências… olho para mim e vejo que trago nos braços duas pedras preciosas, que antiteticamente tornam o percurso mais leve, mais suave, mais bonito. O dia termina… deixo os pés repousar... Observo o meu corpo e faço o balanço: calcanhares em chagas, braços sem força, o corpo sovado pelo cansaço, o olhar sem brilho… mas a paz no coração de neste pôr do sol ter feito o meu caminho sozinha, ter conseguido chegar à outra margem, com a certeza de um dever cumprido, sem ter perdido o equilíbrio, sem ter caído, sem ter perdido o fio que me liga à vida.


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