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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Pensando em Ti

por aspalavrasnuncatedirei, em 09.07.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

A madrugada não tem palavras que te impeçam de abandonar o meu amor, e partir. Nem as sombras das nossas silhuetas, desenhadas com lágrimas nas paredes do quarto, têm voz, que te impeçam de virar costas e sair. Deixas em mim, tanto de ti, tanto da tua essência, sempre que vais embora. Matam-me os dias contínuos, em que a alma jaz nesta cama abandonada. Há mil anseios de alma por cumprir, e o relógio não pára e nunca perdoa. Não sei quanto tempo, o tempo nos deu, nem sei dizer porque é que ainda te trago em mim. Sei apenas que é nas asas do Vento que te invento, que te amo, que te recordo. Não sei também o que a estrada da vida nos reserva. Mas sei das ruas por onde me deixei guiar, de olhos vendados, confiante, no calor da tua mão. Sei dos becos secretos, proibidos onde nos perdemos. Sei das coordenadas do mapa que me ensinaste, mapa esse que apresentava as linhas mestras do meu corpo, da minha vida, dos meus sentidos. Mas tenho medo porque o caminho é infinito quando se caminha sozinha e a espera não tem fim. Invento-te num Oceano novo, pleno de liberdade. Navegas à deriva, porque também me queres, fincas as mãos nesse mastro que sou eu e tentas comandar os nossos destinos. Beijas-me nessa réstia de sopro de vida, enquanto a vida nos faz naufragar mesmo a chegar ao porto. E morro… morro porque te perco em cada onda do mar. A cada gaivota traiçoeira que de mim insiste em te levar.
 

Como Farás Amor, Meu Amor?

por aspalavrasnuncatedirei, em 09.07.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

 

Não dormes comigo à noite quando eu me volto e torno a voltar na cama, buscando um sono que te apague de mim, que afaste as perguntas que então me devoram «Onde estará ele agora? Estará sozinho em casa, sofrendo por minha causa? Estará acompanhado, dando a outra mulher o que eu já não tenho dele? Como fará ele amor com outra mulher? Como o pode?» Como farás amor, meu amor? Farás como eu faço de olhos fechados, de boca fechada, breve e silenciosamente, como se roubasse uma casa na escuridão da noite? Tentarás como eu substituir a paixão e o excesso pela ternura e pelo consentimento? Com essas a quem chamas amigas, farás amor como um amigo? E, por vezes, farás amor sozinho, como eu faço pensando em ti, descendo a mão devagar, devagar, devagar, com todo o resto da vida à minha frente? E quem dormirá ao teu lado de noite? (…) E que sabes tu do meu sono? Que imaginas tu das minhas noites? Saberás tu que as mais felizes são aquelas em que chego à cama e adormeço, sem sequer me lembrar de ti, nem querer, como na música de Simone “eu não me lembro, nem esqueço – adormeço”. 

 
Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, Miguel Sousa Tavares
 

 

 

 

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