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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

O Amor de Outra Mulher...

por aspalavrasnuncatedirei, em 03.02.07

                                                                                                                                Para o Carlos


 

Depois de 21 anos de casamento, descobri uma maneira de manter viva a chama do amor.
Há pouco tempo decidi sair com outra mulher, e o mais curioso é que, na realidade a ideia foi da minha esposa. Tu sabes que também a amas - disse-me um dia, apanhando-me de surpresa.
A vida é muito curta, por isso tens que lhe dedicar algum do teu tempo. A outra mulher, a quem minha mulher se referia, era a minha mãe, que estava viúva há 12 anos, mas as exigências do meu trabalho e das minhas 3 filhas, faziam com que eu só a visitasse cada vez menos. Naquela noite resolvi então convidá-la para jantar e ir ao cinema. O que é que tu tens? Estás bem? Perguntou-me ela intrigada, após o convite. A minha mãe é daquele tipo de pessoas que acredita que um telefonema tardio, ou um convite de surpresa é indício de más notícias. Pensei que seria agradável passar algum tempo contigo – respondi-lhe. Só nós dois; o que é que achas? Ela reflectiu por um momento. - Gostava muitíssimo - disse ela sorrindo. Depois de alguns dias, lá ia eu para o meu encontro e, enquanto conduzia para a ir buscar, senti-me nervoso, era daquele tipo de nervosismo que antecede um primeiro encontro... e, que coisa interessante, pude notar que a minha mãe também estava muito emocionada. Esperava-me na porta de casa com seu casaco, tinha ido à cabeleireira e usava o vestido com que celebrou seu último aniversário de casamento. O seu rosto sorria e irradiava luz como um anjo. - Eu disse às minhas amigas que íamos sair, e elas ficaram muito impressionadas. - Comentou enquanto subia para o carro com um sorriso vaidoso. - Combinámos que amanhã passariam lá em casa para tomar um chá e para saber as novidades do meu “encontro” – disse orgulhosa. Fomos a um restaurante não muito elegante, mas aconchegante, a minha mãe agarrou-se ao meu braço como se fosse "a primeira dama". Quando nos sentámos, tive que lhe ler o menu, pois os seus olhos cansados já não viam letras tão pequenas. Enquanto comíamos as entradas, levantei nos olhos, a minha mãe estava sentada do outro lado da mesa, e olhava-me fixamente. Um sorriso nostálgico delineou-se nos seus lábios. Era eu quem lias histórias quando tu eras pequeno - disse-me. Então é hora de relaxares e me permitires devolver o favor - respondi. Durante o jantar tivemos uma agradável conversa, nada extraordinário, só colocando em dia a vida de um para o outro. Falámos tanto que nos esquecemos do cinema. E a noite continuou agradável. Gostava de sair contigo outra vez, mas só se me deixares fazer o convite, disse a minha mãe quando a levei para casa. Concordei. Como foi teu encontro? - quis saber minha esposa quando cheguei aquela noite. Muito agradável... muito mais do que imaginei... Dias mais tarde minha mãe faleceu de um enfarte fulminante, foi tudo tão rápido, que não pude fazer nada. Depois de algum tempo recebi um envelope com uma fotocópia de um cheque do restaurante onde tínhamos jantado e, lá dentro, estava um bilhete que dizia: "O jantar que te prometi paguei-o antecipado, estava quase certa de que poderia não estar ali outra vez, por isso paguei um jantar para ti e para tua esposa, como forma de agradecer aquilo que vocês fizeram por mim. Jamais poderás entender o significado daquela noite. Amo-te muito". Nesse momento compreendi a importância de dizer a tempo: " Amo-te" e de dar às pessoas que nos são queridas o espaço e o tempo que elas merecem na nossa vida.

 

                                                                   Texto retirado da Internet com adaptações pessoais


 

2 comentários

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    De aspalavrasnuncatedirei a 06.02.2008 às 19:17

    Olá eutopias.
    Lamento muito a tua perda, deixo-te um beijinho e um abraço apertado.
    Quando editei este post fi-lo a pensar no meu, na altura, marido. Ao longo de toda a sua vida teve sempre muitas dificuldades em se aproximar emocionalmente da mãe, e também ela, à data, se encontrava doente.
    Ficam sempre tantas palavras por dizer aqueles que amamos... mas eu acredito que eles, mesmo do outro lado do véu, nos ouvem.
    Fica bem...
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