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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Sem Marcha Atrás

por aspalavrasnuncatedirei, em 14.04.07

 

 

Imagem Retirada da Internet

Já ouviram os Dona Maria? Não!?!? Asseguro-os que é uma das melhores bandas portuguesas. Tenho andado a ver se descubro como é que se colocam músicas nos blogs mas como sou uma grande “nabiça informática” ainda não descobri. Mas eu chego lá, aguardem-me. (Aceitam-se informações).Como não posso deixar-vos a música, deixo a letra de um tema que considero fantástico, intitulado «Sem Marcha Atrás»… Para reflectir.

 

O tempo que a gente perde pela vida a correr
O tempo que a gente sonha que é chegar e vencer
O tempo faz de nós um copo p’ra beber em paz
O tempo é um momento para nunca mais

O tempo mesmo agora fez a terra girar
O tempo sem demora traz as ondas do mar
O tempo que se inventa quando nunca se é capaz
O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás

Voei p’ra te dizer
Sonhei p’ra te esquecer
Eu sei não vais parar para eu crescer
Eu sei esperei demais

 

                                                                                                  Dona Maria

Amei-te...

por aspalavrasnuncatedirei, em 21.03.07

 

 

Hoje comemora-se o Dia da Poesia e por isso mesmo é imperativo que edite um post que seja um texto lírico. A escolha não foi fácil temos excelentes poetas e poetisas mas optei por seleccionar um poema lindíssimo de Fernando Pessoa.

 

 

Amei-te

Amei-te e por te amar só a ti eu não via...

Eras o céu e o mar, eras a noite e o dia...

Só quando te perdi é que eu te conheci...

 

Quando te tinha diante do meu olhar submerso

Não eras minha amante... Eras o Universo...

Agora que te não tenho, és só do teu tamanho.

 

Estavas-me longe na alma, por isso eu não te via...

Presença em mim tão calma, que eu a não sentia.

Só quando meu ser te perdeu vi que não eras eu.

 

Hoje eu busco-te e choro por te poder achar

Não sequer te namoro, como te tive a amar...

Nem foste um sonho meu... porque te choro eu?

 

E hoje pergunto em mim quem foi que amei, beijei

Com quem perdi o fim aos sonhos que sonhei...

Procuro-te e nem vejo o meu próprio desejo...

 

Que foi real em nós? Que houve em nós de sonho?

De que Nós fomos de que voz o duplo eco risonho

Que unidade tivemos? O que foi que perdemos?

 

Amamo-nos deveras? Amamo-nos ainda?

Se penso vejo que eras a mesma que és...

E finda tudo o que foi o amor; assim quase sem dor.

 

Sem dor... Um pasmo vago de ter havido amar...

Quase que me embriago de mal poder pensar...

O que mudou e onde? O que é que em nós se esconde?

                                                                

Talvez sintas como eu e não saibas senti-lo...

Ser, é ser nosso véu, amar é encobri-o,

Hoje que te deixei é que sei que te amei...

 

Que importa? Se o que foi entre nós foi amor,

Se por te amar me dói já não te amar, e a dor

Tem um íntimo sentido, nada será perdido...

                                                                       Fernando Pessoa

 

 

 

Soneto de Amor

por aspalavrasnuncatedirei, em 10.03.07

 

 

 

Não me peças palavras, nem baladas,

Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,

Deixa cair as pálpebras pesadas,

E entre os seios me apertes sem receio.

 

Na tua boca sob a minha, ao meio,

Nossas línguas se busquem, desvairadas...

E que meus flancos nus vibrem no enleio

Das tuas pernas ágeis e delgadas.

 

E em duas bocas uma língua..., - unidos,

Nós trocaremos beijos e gemidos,

Sentindo o nosso sangue misturar-se.

 

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!

Enterra-os bem nos meus, não digas nada...

Deixa a vida exprimir-se sem disfarce!

 

José Régio

                     

Dia Internacional da Mulher

por aspalavrasnuncatedirei, em 08.03.07

Adoro este poema de Victor Hugo. E uma vez que hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher, achei que fazia todo o sentido editá-lo. É sublime a forma com ele apresenta as diferentes características dos Homens e das Mulheres, apresentando uma visão poética daquilo que cada um deles tem de melhor.

 

Não entra na chamada «Guerra dos Sexos», não defende a supremacia de um em detrimento do outro, não faz a apologia do ser melhor, ou mais importante.

 

A leitura que faço do texto em questão é que os Homens são mais racionais, mais lógicos, mais matemáticos, enquanto que as Mulheres mais sensíveis, mais humanas, mais metafóricas.

 

No entanto, considero que este poema é um hino às Mulheres, como seres especiais e encantadores que somos :o))

Homens: Tratem-nos bem!!!

 

 

 

Homem é a mais elevada das criaturas,

A mulher o mais sublime dos ideais,

Deus fez para o homem um trono, para a mulher, um altar.

O trono exalta, o altar santifica.

O homem é o cérebro, a mulher o coração.

O cérebro fabrica luz, o coração produz o Amor.

A luz fecunda, o Amor ressuscita.

O homem é forte pela razão, a mulher é invencível pelas lágrimas.

A razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos;

A mulher é capaz de todos os martírios.

O heroísmo enobrece, o martírio sublima.

O homem tem a supremacia, a mulher a preferência.

A supremacia significa a forca, a preferência representa o direito.

O homem é um génio, a mulher um anjo.

O génio é imensurável, o anjo é indefinível.

A aspiração do homem é a suprema gloria.

A aspiração da mulher é a virtude extrema.

A glória tudo engrandece, a virtude tudo diviniza.

O homem é um código, a mulher, um evangelho

O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.

O homem pensa, a mulher sonha.

Pensar é ter no crânio uma larva

Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano, a mulher é um lago.

O oceano tem dominar a pérola que adorna, o lago, a poesia que deslumbra.

O homem é a águia que voa, a mulher o rouxinol que canta.

Voar é o espaço, cantar e conquistar a alma.

O homem é um templo, a mulher o sacrário.

Ante o templo nós descobrimos, ante o sacrário nós ajoelhamos.

Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra.

A mulher onde começa o Céu.

 

                                                                                                 Victor Hugo

 

 

 

 

 

Como Não Amam os que de Amar não Sabem

por aspalavrasnuncatedirei, em 05.03.07

 

 

 

 

 

 

Amor, amor, amor, como não amam

os que de amor o amor de amar não sabem,

como não amam se de amor não pensam

os que de amar o amor de amar não gozam.

Amor, amor, nenhum amor, nenhum

em vez do sempre amar que o gesto prende

o olhar ao corpo que perpassa amante

e não será de amor se outro não for

que novamente passe como amor que é novo.

Não se ama o que se tem nem se deseja

o que não temos nesse amor que amamos,

mas só amamos quando amamos o acto

em que de amor o amor de amar se cumpre.

Amor, amor, nem antes, nem depois,

amor que não possui, amor que não se dá,

amor que dura apenas sem palavras tudo

o que no sexo é sexo só por si amado.

Amor de amor de amar de amor tranquilamente

o oleoso repetir das carnes que se roçam

até ao instante em que paradas tremem

de ansioso terminar o amor que recomeça.

Amor, amor, amor, como não amam

os que de amar o amor de amar o amor não amam.

 

Jorge de Sena

Tórrida Noite de Amor

por aspalavrasnuncatedirei, em 01.03.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

Eugénio de Andrade estava inspiradíssimo quando escreveu este texto, ou então tinha acabado de viver uma tórrida noite de amor. Deixo-vos um poema que transpira erotismo e sensualidade.

Apreciem-no, leiam-no devagar, saboreiem-no, só assim poderão entender o seu sentido, entender todas as metáforas.



Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar

os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta

aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.

porque é terrível
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.

abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho -
a glande leve.

                                Eugénio de Andrade

Silêncio

por aspalavrasnuncatedirei, em 19.02.07

 

                                            Imagem: Autor Desconhecido

 

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondas
às urgentes perguntas
que te fiz.
Deixa-me ser feliz
assim,
já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
o nosso amor
durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada...

                                            Miguel Torga

Hino a Ísis

por aspalavrasnuncatedirei, em 16.02.07

 

Isis

 

 

Porque eu sou a primeira e a última

Eu sou a venerada e a desprezada

Eu sou a prostituta e a santa

Eu sou a esposa e a virgem

Eu sou a mãe e a filha

Eu sou os braços da minha mãe

Eu sou a estéril, e os meus filhos são numerosos

Eu sou a bem casada e a solteira

Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou

Eu sou a consolação das dores de parto

Eu sou a esposa e o esposo

Eu sou a mãe do meu pai

Sou irmã do meu marido

E ele é o meu filho rejeitado

Respeitem-me sempre.

Porque eu sou a escandalosa e a magnífica!

 

 

 

Segredos

por aspalavrasnuncatedirei, em 13.02.07

 

 

 

Tenho um segredo enterrado

Nas areias daquela Praia,

Onde num fim de tarde nos amámos

E trocámos juras de amor.

 

Tenho um segredo escondido

Numa montanha longínqua,

Onde um dia atingimos o cume,

Numa explosão mútua de prazer.

 

Tenho um segredo difundido

No som daquele piano

Onde nos perdemos

Numa noite quente de luar.

 

Tenho um segredo ocultado

Na doçura das minhas lágrimas

Onde me bebeste

Na taça cristalina da tua boca.

 

Tenho um segredo adormecido

Na brancura dos teus lençóis

Onde me perdi… para me encontrar depois!

 

                                     

AS Regras da Sensatez

por aspalavrasnuncatedirei, em 13.02.07

 

 

Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz.
Por muito que o coração diga não faças o que ele diz.
Nunca mais voltes à casa, onde ardeste de paixão.
Só encontrarás erva rasa por entre as lajes do chão.
Nada do que por lá vires será como no passado.
Não queiras reacender um lume já apagado.
São as regras da sensatez, vais sair a dizer que desta é de vez.
  
Por grande a tentação que te crie a saudade,
Não mates a recordação que lembra a felicidade.
Nunca voltes ao lugar onde o arco-íris se pôs,
Só encontrarás a cinza que dá na garganta nós.
 
São as regras da sensatez vais sair a dizer que desta é de vez 
                                                             Carlos Tê / Rui Veloso
 

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