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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Se...

por aspalavrasnuncatedirei, em 27.02.14

 

Há anos que o amava em silêncio sem nunca ter tido coragem para lho dizer. Todos os dias falávamos sobre as coisas mais banais, trivialidades de quem nada diz e tem muito para dizer, todos os dias me fazia sorrir, todos os dias partilhávamos confidências, receios, todos os dias lia, onde não existia, uma frase romântica que me fazia sonhar. Nunca foram precisas palavras para lhe dizer o que me torturava o peito mas sei que ele o sabia. Um amor puro, ingénuo e desinteressado só se tem uma vez na vida e que a amizade e a amizade é uma linha ténue que nos separa de um grande amor. Um dia veio a notícia que mudaria de cidade, que partiria para outra vida, que iria ter novos amigos… e amigas… Um coração ingénuo não aguenta ouvir estas palavras sem sangrar por dentro. O último dia antes de partir, fizemos uma festa de despedida, com bebidas proíbidas, mousses instantâneas, batatas fritas e música alta. O som abafava a minha voz, a minha dor, os meus pedidos surdos para não partires. Ouvi o toque da campainha que anunciava o fim das aulas. Corri para o espelho da casa de banho e endireitei os ganchos do cabelo, alisei a prega do vestido e coloquei nos lábios o batom de cereja que na véspera roubara da mochila da minha irmã. Do outro lado da escola fui encontrá-lo, calças de ganga sujas de mais uma partida de futebol, joelhos esfolados indiciando a alegria de um último golo. Só sei que eu tremia como se tivesse com frio, apesar das cigarras já terem anunciado a proximidade do Verão. As pessoas passavam por mim e resmungavam pelo facto de estar a empecilhar o caminho. Não me consegui mexer, não consegui falar. O meu cérebro gritava às minhas pernas «-Corre, vai ter com ele», ordenava aos meus braços «-Abraça-o pela última vez», e ditava à minha boca «-Dá-lhe um beijo de despedida». Tentei chamá-lo mas a voz não me obedecia. O som de uma buzina, que tão bem conheço, faz-me estremecer… a mãe dele acabou de chegar para o levar, e desta vez, para uma longa viagem, para longe de mim, para longe das nossas brincadeiras. Também ele ouviu a buzina e veio na minha direção com uma expressão envergonhada. Quando passou perto de mim colocou na minha mão um bilhete arrancado de uma meia página de caderno de espiral da disciplina de matemática onde se lia «-Quando voltar quero ser teu namorado». Vi-o desaparecer dentro do carro, o carro a desaparecer na multidão, a multidão a desaparecer no caminho e o caminho da felicidade a desaparecer da minha vida. Vi a minha coragem desaparecer e o meu coração a cair ao chão, estilhaçando-se para o resto da minha existência. Hoje, tantos anos depois, sei que aquele episódio deixou na minha boca o sabor amargo de não ter lutado pelo que queria, a falta de coragem ficou marcada em mim como uma tatuagem na pele. «-O que é que teria acontecido se….» os «ses» da vida são as palavras mais difíceis de combater.

Memórias dos Pantufinhas Emprestados

por aspalavrasnuncatedirei, em 07.02.09

 

Criança triste nos braços da mãe

Imagem Retirada da Internet

 

 

Pedi aos meus alunos na última aula que elaborassem uma memória a propósito do discurso autobiográfico que estou a leccionar. Sugeri-lhes que fizessem um texto sobre o melhor momento das suas vidas, ou o pior, ou ainda o mais divertido. Não havia restrições, não havia limites, apenas eles, os seus sentimentos, a folha de papel e a caneta. Disse-lhes ainda que manteria sigilosos os trabalhos, se assim o desejassem. O objectivo desta actividade era fazer com que aplicassem as características que tinham aprendido sobre o texto memorialístico, entrassem nos seus corações, transmitissem os seus sentimentos e analisassem a importância do acontecimento escolhido nas suas vidas. Nada me preparou para o que iria ler a seguir… Levei os trabalhos para casa e li aqueles que diziam “confidencial”. Ainda me custa a acreditar no que li… Os meus Pantufinhas Emprestados, apesar de terem acabado de entrar na adolescência, são em grande número marcados pelo sofrimento (que eu desconhecia por completo) e têm uma alma extraordinariamente sensível (mas isso eu já sabia). Alguns deles exorcizaram os seus maiores desgostos de uma forma que nunca me tinha sido dada a ler. Estes miúdos desabafaram sobre a morte de alguém que lhes foi muito querido e sobre doenças que teimam assombrar os seus lares. Uns relataram a tristeza que sentiram quando os pais se divorciaram e que também os invadiu quando voltaram a constituir uma nova família. Outros descreveram os maus tratos a que foram sujeitos por parte dos progenitores, e a vida familiar marcada pela violência doméstica, pelas agressões e espancamentos que vitimam as mães. A Matilde recordou episódios em que o pai espancava mãe na presença dos filhos, e quando os seus ataques de loucura eram intensos, acabava também por estender a violência a ela e aos irmãos. Li uma história de uma aluna que recordou uma situação vivida aos 5 anos quando assistiu ao abuso sexual de uma outra criança, que na sequência desse acto foi encontrada morta. Fiquei com o coração apertado de tantas desgraças que li. Na aula de hoje era suposto eu ler os trabalhos, mas apenas dos alunos cujos textos não fossem “confidenciais”. Tencionava corrigi-los a nível da forma e do conteúdo e tecer considerações sobre os aspectos positivos e aqueles que precisavam ser melhorados. A turma estava muito receptiva à actividade, as memórias que ia lendo falavam dos mais variados assuntos: as Verões inesquecíveis que já tinham vivido, a cumplicidade com os amigos, as tropelias da infância, a primeira bicicleta, o primeiro beijo. No meio dos papéis surgiu-me o trabalho da Teresa cujo texto me fizera chorar na noite anterior e informei os colegas que não o iria apresentar. Apesar do “confidencial” escrito na sua folha de papel, a aluna pediu-me para o ler. Senti a voz a abandonar-me e o fio que restou a tremer. Lentamente começo a leitura da memória do funeral da sua mãe: o som do rebate dos sinos, a cova escura para receber o seu corpo, o choro de desespero dos familiares mais próximos. Doeu-me ler a tristeza que sentia por perder a mãe, mas também a amargura por perder a juventude em prol do apoio que tem de dar ao pai e aos irmãos. A Teresa cuida da casa e da família, herdou da mãe a responsabilidade de dar sentido e continuidade à vida daqueles que a rodeiam. Em plena aula, as lágrimas desceram silenciosas pelo meu rosto… não as consegui esconder. Depois disto, também o Lourenço me pediu para ler o seu texto. Em duas tristes páginas este aluno descreve a primeira coisa que faz ao acordar - beijar a fotografia que se encontra perto da cama. O rosto que recebe o beijo é o da sua mãe também falecida. Linha a linha descreve a forma como recebeu a notícia, a falta que a presença materna lhe faz, as saudades que sente. «-Como vou crescer sem o seu abraço, sem os seus beijos sem os miminhos da minha mãe?»  perguntava ele em pequenito. Termina com a ideia que é nos sonhos que a encontra e que a sente mais próxima. As lágrimas continuavam a deslizar pelo meu rosto e aquele texto singelo contagiou toda a turma, não só o Lourenço chorava, como a grande maioria dos seus amigos se emocionaram com a descrição da sua dor. Um outro trabalho que me tocou profundamente foi o do Alberto que explicava a forma como a Ritalina alterou a sua vida, lembrava-se das alucinações que sentiu aquando da primeira toma, da estranheza de emoções que o medicamento lhe desencadeou. O que mais me sensibilizou naquela leitura foi o facto de ele reflectir sobre o facto de se sentir viciado: a ressaca quando não a toma, o corpo a acusar a necessidade e a pedir-lhe mais. Interrogava-se sobre se deveria ou não continuar medicado, se não lhe estaria a fazer mais mal que bem, se não seria melhor procurar noutro sentido a solução para a agitação do seu corpo e da sua mente. Quando a campainha tocou, tinha o coração apertado mas transbordante de afecto por estes Pantufinhas Emprestados que crescem cada vez mais infelizes e sem um farol que os guie. No livro das minhas memórias também fica registada esta aula, em que estivemos tão próximos. Oxalá daqui a uns anos também eu faça parte das memórias deles, e que sejam boas memórias. É isto que sou, é isto que faço. Ser professora faz parte de mim, da minha alma, da minha essência.

(todos os nomes utilizados no post são fictícios)

 

 


How Could an Angel Break My Heart - Toni Braxton

 

As Mulheres e o Amor – 1000 Frases Apaixonadas

por aspalavrasnuncatedirei, em 03.10.08

 

Imagem Retirada de Internet

 

Ainda estava a saborear a publicação da Mulher Fantástica  aspalavrasnuncatedirei.blogs.sapo.pt/97243.html quando recebi um convite para uma co-autoria de um livro com uma pessoa multifacetada que é professor, pintor, escritor e é ainda responsável por uma empresa de publicidade no Rio de Janeiro, Marco. A ideia deste livro “luso-brasileiro” é espelhar a sensibilidade das Mulheres, de todas as mulheres que queiram colaborar connosco e que queiram partilhar a sua opinião. Não é necessário, que seja o amor homem/mulher, o que interessa é que seja Amor. Pelos filhos, namorado, marido, amante, natureza, vida... A intenção é recolher, pelo menos, mil frases (sim, leram bem) mil frases femininas sobre este sentimento. Desta forma nasceria uma colectânea com a visão de diferentes mulheres: as mais novas, as adolescentes, as de meia-idade, s conservadoras, as modernas, as radicais, as solteiras, casadas, divorciadas, enamoradas… enfim, a lista poder-se-ia prolongar. Já repararam que há o livro das 1000 Ideias Para Confeccionar Bacalhau, 1000 Receitas de Carne, 1000 Receitas de Peixe, 1000 Receitas da Cozinha Portuguesa 1000 Perguntas de Marketing, 1000 Lugares Para Conhecer Antes de Morrer, 1000 Tatuagens, 1000 Canções e Acordes de Guitarra, os 1000 Heróis de Jogos de Vídeo, 1000 Perguntas e Respostas, 1000 Perguntas Sobre Futebol, 1000 Exercícios de Preparação Física…a lista é interminável, falta apenas As Mulheres e o Amor – 1000 Frases Apaixonadas. Assim sendo venho solicitar a todas as meninas e mulheres que diariamente passam por aqui a vossa colaboração neste projecto. Basta que enviem para sandra_sofiabarbosa@sapo.pt uma frase sobre o amor e coloquem a vossa profissão, idade e o nome (se assim o desejarem). A todas, desde já, o meu muito obrigada pela participação.

 

   

Joe Cocker - You are so beautifuil

Amor em Tempo de Bibe

por aspalavrasnuncatedirei, em 24.09.08

 

 Imagem Retirada da Internet

 

Vêm de longe as histórias de rixas, as anedotas, as brincadeiras, os amores e desamores entre sogras e noras. Nem sempre se dão bem, raramente são amigas, isto porque cada uma delas, de forma inocente ou dissimulada, lutam pelo primeiro lugar no pódio/coração do filho/namorado/marido. Devo confessar que foi com um sorriso rasgado que recebi a notícia que tinha um novo estatuto - o de sogra. Logo no primeiro dia de escola (já lá vai um ano) o meu filho chegou a casa com uma expressão marota e confessou-me que na sua turma havia uma colega “linda”. Os seus olhos brilhavam quando lhe descrevia o louro do cabelo, o despenteado dos caracóis, a brancura da pele que contrastava com umas rosetas vermelhas, uns olhos azuis de onde saíam faíscas, uma energia que nunca está quieta e nunca se cala. Dias mais tarde, a confirmação «-Mamã, mamã! Perguntei à Raquel se queria ser minha namorada e ela disse “-Sim!!!» E foi aí que me tornei oficialmente “sogra”. O tempo foi passando e não querendo dar provas de ser uma mãe metediça, de vez em quando perguntava como ia o namoro e o meu rebento respondia que ia bem, e que gostava muito, muito da Raquel. Um dia fui buscá-lo à escola e pude confirmar a descrição que me tinha sido feita daquela que era senhora do seu coração. Bem gira, a minha nora! Sem que eu estivesse à espera, veio a correr na minha direcção (correr mesmo, não é um sentido figurado), deu-me um doce abraço, acompanhado com um beijo besuntado (não comecem já a pensar que estou a implicar com a rapariga mas fiquei com a bochecha a colar). Terminaram as aulas, vieram as férias, iniciou-se um novo ano lectivo e o namoro lá vai de vento em popa. Esta semana a Professora comentou com um sorriso «-Este amor vai dar em casamento, eles não se largam. Passam os dias de mão dada, comem juntos, fazem trabalhos um com o outro e andam sempre aos beijos». “Sempre aos beijos!?!?…» pensei eu num misto de diversão e preocupação, e resolvi indagar o rapaz sobre a veracidade desta afirmação. Eu não sou antiquada, mas é assim que se namora hoje? Ao chegar a casa, não me consegui conter «-A tua Professora disse-me que andas sempre aos beijos à Raquel, é verdade? O rapaz iluminou-se «É pois! Quando vamos brincar na casinha das bonecas, quando ninguém está a ver, dou-lhe um beijinho... daqueles... na boca!» Sim, leram bem “casinha das bonecas”. Este é um namoro de bibe, que começou no recreio do infantário sob os olhos atentos e divertidos de uma Educadora. A Raquel é uma linda princesa de quatro anos, com um rosto angelical que morre de amores, e é correspondida, pelo Pantufinha mais novo, de quatro anos também. No recreio, entre bolas e jogos, baloiços e escorregas, entre carros e bonecas trocam juras de amor seladas com beijos. Hoje, quando o fui buscar encontrei a minha Comadre, que é como quem diz a sogra do meu filho, que é como quem diz, a mãe da Raquel e já estávamos a colocar os cintos de segurança nas nossas crianças quando o meu D. Juan de bibe me pediu para sair do carro porque queria despedir-se da sua amada. Consenti, compreesiva. E lá foi ele, com uma segurança que só o amor permite, com um sorriso que só quem está apaixonado entende, pendurou-se na janela aberta da outra viatura e… Chuac!!! beijo na boca da Raquel. A minha comadre soltou uma gargalhada, eu fiquei envergonhada com a ousadia. Quando o pequeno playboy se aproximou de mim disse-lhe baixinho «-Não podes dar beijos na boca à Raquel quando os pais estão com ela, eles podem não gostar e ficam zangados contigo. A resposta não se fez esperar... «Não faz mal, ao pé da mãe posso, do pai é que não… ele é polícia.»

Ja Sei Namorar - Tribalistas

Sabor a Setembro

por aspalavrasnuncatedirei, em 11.09.08

 

Imagem Retirada da Internet

 

Setembro sabe a fim de férias, últimos banhos  de mar, último toque na areia, últimos caracóis na esplanada e o último adeus aos amores de Verão. Sabe a início de aulas, a alvoroço de canetas cadernos, livros e mochilas. Setembro são saudades do Outono: das túnicas brancas de manga comprida, de écharpes à volta do pescoço, de camisolas de gola alta, de botas de cano alto e salto fino ressuscitadas do armário. Setembro tem gosto de torradinhas onde a manteiga escorre, de cacau quente num fim de tarde, de canecas de chá verde com versos de Fernando Pessoa. Setembro cheira às primeiras chuvas que deixam no ar o doce aroma a terra molhada, que re-energiza não só o solo mas também a vida. Setembro tem o gosto dos dióspiros do Sr. Franco, (deliciosos, sumarentos, vermelhinhos), das uvas douradas da D. Emília, das broas de canela da D. Maria Antónia, dos figos e nozes do Raul, do moscatel do tio António, dos biscoitos de manteiga da avó Maria. Setembro sabe ainda à manta creme de quadradinhos castanhos na qual me enrolo no sofá e me perco nas páginas de um livro, ou numa caixa de chocolate quando a tristeza aperta. Setembro tem um toque de manhãs frias e fins de dia onde anoitece mais cedo, tem sabor, a filmes alugados e baldes de pipocas no chão da sala, a cobertores a mais na cama, tem gosto de preguiça no leito morno das manhãs de Domingo. Setembro… sabe a ti!

 

Green Day-Wake me up when september ends.mp3 -

A Vida Como Um Presente

por aspalavrasnuncatedirei, em 29.08.08

 

Imagem retirada da Internet

 

Fim das férias de Verão. Todos os anos por esta altura sinto sempre necessidade de respirar fundo, deixar entrar um sopro divino em mim e… fazer um balanço. Talvez pelo facto da minha vida se reger por anos lectivos e não anos civis. Este ano foi… diferente… especial… pleno de acontecimentos. Aprendi tanto. Mudei tanto. Cresci imenso. Há em mim uma Mulher que não conhecia, e que agora se reflecte no meu espelho, vive na minha casa, come na minha mesa e dorme na minha cama. Olho-a com desconfiança, ainda me estou a habituar a ela. Faz-me rir, faz-me chorar e surpreende-me a cada dia que passa. Morreu a Mulher que fui e confesso… há dias em que sinto a sua falta. Era de tal forma organizada, metódica, previsível, sem novidade, acomodada, que tinha a segurança de conhecer todos os seus passos, no entanto, e por isso mesmo, os dias não eram vividos, eram programados. Mas tudo muda e o dia-a-dia ensinou-me a ver, com olhar crítico, os meus defeitos, a valorizar as qualidades, a aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos postos no horizonte com optimismo. Sei que tenho que construir hoje as estradas do meu caminho, mesmo que o terreno seja pedregoso, pantanoso… porque o dia de amanhã é incerto e que “não vale a pena fazeres planos para a vida para não estragar os planos que a vida tem para mim”. Relativamente aos que me rodeiam, percebi que ausência não significa distância, que paixão não é o mesmo que amor e que amor é aceitação. Tenho consciência que as pessoas que hoje me amam, amanhã podem vir a odiar-me… e com a mesma intensidade. Entendi que aqueles que hoje me fazem sorrir, amanhã podem vir a ser responsáveis pelas minhas lágrimas e que não importa quão bondosas e dedicadas sejam comigo, um dia destes vão desiludir-me e vou ter que viver com isso, aprender a lição e, se possível, esquecer. Sei também que mesmo que não me amem ou não me aceitem como sou, isso não significa que não seja amada ou aceite, simplesmente os outros também não são o que eu espero que sejam. No campo das emoções percebi que não se apagam com borrachas mágicas as dores emocionais, não dá para fazer de conta que não existem, mas aprende-se a viver com elas, lambem-se as feridas e acredita-se que tudo na vida acontece por uma razão e que o Universo é generoso. Descobri que levamos anos a construir relações na base da confiança, da honestidade e bastam apenas alguns segundos para deitar tudo a perder. Doeu-me ver que há amizades se fazem pelos títulos e não pelas pessoas mas felizmente também reconheço que há amizades verdadeiras que se mantêm mesmo quando erramos, mesmo quando não somos o que queriam que fôssemos e que continuam a crescer mesmo que a distância se interponha. Reconheço hoje que investi anos em coisas que hoje não têm qualquer valor e que a minha felicidade se faz de afectos e não de valores porque o que importa não é o que tenho mas o que sou. O pior de tudo foi aprender que as pessoas mais importantes da minha vida, por razões várias, desaparecem muito depressa e por isso mesmo vale a pena dizer-lhes a cada instante o que sinto, dar-lhes um beijo carinhoso, um abraço apertado porque amanhã pode ser tarde demais Descobri com discernimento que terão que passar anos até me tornar a pessoa que almejo ser e que o melhor é começar a trabalhar nesse sentido desde já. Por isso, não importa onde já cheguei, o que consegui, mas para onde vou e sabiamente sigo sem ilusões, porque só se desilude quem as cria. Aprendi que não há vencedores nem vencidos, que cada um faz o que tem que fazer, escolhe o seu caminho e nunca o faz com o intuito de magoar ninguém. Por último, percebi o verdadeiro significado da frase “Everyday is a gift, that’s why they call it, the present!”.

 

 

Intervalo - Per7ume e Rui Veloso

Férias de Verão com Sabor a Inverno

por aspalavrasnuncatedirei, em 01.08.08
 
  
Ao longo das últimas semanas preparei-me para as férias dos Pantufinhas. Sabia que o dia 1 de Agosto chegaria e, com ele, as minhas duas pantufas iriam meter os pezitos ao caminho e lá iriam quinze dias de férias com o pai. Imaginei que aproveitaria essa altura para actualizar algum trabalho a que não tenho conseguido dar resposta, pensei nos papéis que iria finalmente arrumar, nos livros que iria ler, nos CD’s que iria ouvir e nos filmes a que iria assistir. Lembrei-me ainda que era uma excelente altura para visitar amigas em cidades distantes, comer com elas um gelado na esplanada, beber chávenas de chá pela madrugada fora. Pensei também que seriam dias ideais para fazer caminhadas, aquelas como eu gosto – quando o sol começa a acordar e o cheiro das torradas invade as ruas. Lembrei-me que iria ao ginásio queimar o pneu teimoso, fazer sauna e banho turco, nadar até ficar sem fôlego e dormir, dormir, dormir. Enfim… cuidaria um pouco de mim. Mas a realidade é sempre diferente daquilo que imaginamos e hoje, assim que os meus pequenos Indianas Jones partiram à aventura, senti-me tolhida por uma imensa tristeza, por uma terrível sensação de vazio. O divórcio é isso mesmo… mais do que um corte entre duas pessoas, é uma divisão de seres, é uma divisão de objectos e, dolorosamente, é uma divisão de afectos. Negoceiam-se carros e casas, móveis e pratos, livros e DVD’s, quadros e tapeçarias… E o pior de tudo: negoceiam-se os filhos: o seu afecto, a sua educação, os seus tempos livres. O Natal, outrora a união da família, passa a ser dividido em jantar da mãe e almoço do pai, ou vice-versa; e o mesmo acontece na Páscoa, nos aniversários e em todas as datas especiais. Enquanto num casamento dizemos: «- Eu vou buscá-los à escola.», num divórcio perguntamos se podemos ir, e estranhamente, alguém que tem tantos direitos e obrigações como nós, passa os dias a pedir (para as mais insignificantes coisas) a nossa autorização. E os filhos? Como será a cabeça de uma criança pequena, relativamente a este assunto? Com muita frequência oiço alguns pais (a tentar tapar o Sol com a peneira) dizer que as crianças ganham tudo a dobrar: dois quartos, duas férias, dois Natais dois aniversários, com presentes a dobrar… (como se num divórcio alguém ganhasse alguma coisa)… Os filhos podem ganhar tempo útil com os seus progenitores, podem até ganhar uma nova família mas invariavelmente também se sentem divididos. Estar com a mãe implica não estar com o pai, divertir-se com um, implica a ausência do outro. Já repararam que uma criança filha de pais divorciados diz sempre «- Vou para casa do meu pai», «-Estive em casa da minha mãe» a criança deixa de dizer «-A minha casa!», deixa de ter um sentimento de pertença a um lar, a um espaço e, por isso, desiludam-se aqueles que pensam que ela tem tudo a dobrar. Em situações como esta dá-me para divagar, para fazer uma viagem ao centro de mim, por isso neste dia em que o silêncio da casa é ensurdecedor, em que as paredes da casa se transformam em muros, em que o céu azul se transformou num dia cinzento de Inverno, aninho-me no beliche que tem enraizado aquele aroma a que cheiram os abraços dos meus filhotes e decido ficar ali numa atitude de consciente masoquismo. Deixo que as recordações me assaltem, de outros Verões, de outras praias, dos seus sorrisos. Deixo que as lágrimas me lavem a alma e molhem a almofada, deixo que o meu espírito se solte e vá brincar com eles na água do mar, construir castelos de areia, comer um Olá fresquinho e uma Bolacha Americana. E hoje foi só o primeiro dia When Youre Gone - Avril Lavigne

Mulher Fantástica - O Livro

por aspalavrasnuncatedirei, em 14.07.08

 

 

 

 

 

Cá está ele! Finalmente os textos que há muito desejávamos ver impressos, não só eu como também os meus visitantes, já podem ser adquiridos. Como fazê-lo?  O leitor pode contactar-me através do e-mail sandra_sofiabarbosa@sapo.pt e ficará a saber todos os pormenores.
 
Deixo-vos a sinopse para aguçar a vossa curiosidade.
 
Sinopse
Quem é a mulher fantástica? É toda aquela mulher que ao longo da vida consegue ser extraordinariamente bonita e feminina? Que é boa esposa, uma fogosa amante, a namorada exemplar? Ou a super-mãe, a amiga verdadeira e ainda a que consegue ser a melhor profissional no seu local de trabalho? Essencialmente, neste livro, descobrimos que é a mulher que pelo menos uma vez na vida já amou, já se sentiu amada mas também aquela que um dia sofreu por amor. Em suma, a Mulher Fantástica, mesmo que ainda oculta, são todas e cada uma das mulheres que somos e conhecemos.
 
Não pense que este livro se destina exclusivamente ao sexo feminino: ele pode até ser muito útil aos homens. Aqui encontrará pistas para compreender porque choram as mulheres por nada, ou porque sorriem sem razão aparente, ou até porque razões dizem “não” quando querem dizer “sim”.
 
As vozes deste livro são as mulheres fantásticas com quem nos cruzamos diariamente, que fazem (ou fizeram) parte da nossa vida, com as suas histórias, emoções, encantos e desencantos. A autora assume-se protagonista em alguns destes desabafos e transporta-nos ao sentimento que transborda nos rostos de onde caíram lágrimas, à fonte de luz em olhos que brilharam de alegria, ao desacerto de corações que bateram descompassados num momento determinado da sua vida.
 
Um blogue (http://aspalavrasnuncatedirei.blogs.sapo.pt) foi a forma que a autora encontrou para exorcizar as suas vivências e imaginação, e onde, de algum modo, pressentiu que outros corações se poderiam rever e querer contribuir através dos seus pontos de vista, como se de um exercício de pintura emocional colectiva se tratasse. A participação que daí adveio superou as suas expectativas: no decorrer de um ano e meio, diversos prémios atribuídos, para cima de 415.000 visitas e um número elevado de participações, comentários, desafios, confidências, desabafos, amizades, semelhanças e diferenças.
 
Há momentos em que um livro não chega para expressar tudo o que vai dentro de nós, não é suficiente para obter respostas às nossas perguntas ou para acalmar as nossas preocupações. Um virar de página não chega para uma vida que se quer nova ou, pelos menos, diferente.
 
Quantos (quantas?) haverá que sentem, como a autora, aquele formigueiro insistente na pele sensível da alma, apaziguada apenas pelas palavras que brotam em corrente incontida dos nossos lábios? São palavras que queimam por dentro e que têm razões próprias que muitas vezes escapam à nossa racionalidade culturalmente moldada, que se insinuam em cada gesto, que se erguem das nossas memórias e pintam os desejos de cores que só existem na escrita. Mas estas palavras ambicionavam ser mais que palavras: constituíam-se como um manifesto de partilha e de questionamento pessoal numa libertação pública catártica, num convite expresso e à urgente libertação de todos os que passavam naquele blogue.
 
Porquê um livro, agora? Porque os visitantes do blogue assim o pediram insistentemente e porque nestes textos se reconhecia a capacidade desta substância poder ocupar duas formas: o blogue e o livro. Mulher Fantástica é uma mulher em forma de livro, e este livro é para si.


 

Desperdício de Vida

por aspalavrasnuncatedirei, em 21.06.08

 

 

Imagem Retirada da Internet

 

 

Como foi que a vida te tornou tão amarga, tão fria? Em que momento os teus olhos perderam o brilho, o teu coração congelou e as tuas palavras se tornaram uma espada afiada? Ainda me lembro de ti… outrora quando o teu cabelo ainda dançava ao ritmo do vento, quando os teus olhos brilhavam e iluminavam tudo e todos à tua volta. Há muito, muito tempo, já se ouviu melodia na tua voz, já houve açúcar caramelizado nas tuas palavras. Um dia já te reconheci valores de uma amiga verdadeira, já foste uma profissional brilhante, um ser humano muito especial. A culpa é das saudades dizem uns, a culpa é do amor dizem as amigas, a culpa é dele diz a família… a culpa é da mulher dele… dizes tu. Ninguém escolhe quem ama, porque ama, ou quando deixará de amar, mas a vida encurralou-te num triângulo das bermudas amoroso que lentamente te tem vindo a destruir. Não duvido que te tenha amado, sei o quanto ainda o amas, vivi de perto os momentos de felicidade que partilharam, a cumplicidade que desenvolveram, a comunhão das vossas almas. Mas também conheci de perto a dor provocada pelo abandono, a frustração de um sonho que ficou por viver, o desespero de um coração ferido que sucederam ao regresso ao lar pseudo-perfeito, à esposa pseudo-vitimizada, aos filhos pseudo-traumatizados. O que esse amor fez contigo… não te reconheço… Passas os dias a rebobinar a cassete dessa relação que só te fez mal. Sucedem-se horas a ouvir as vossas músicas, a ver as vossas fotografias, a tocar naqueles objectos… serves-te de qualquer coisa que possa ferir com mais intensidade, esse teu coração. Que desperdício de vida! Quero de volta a amiga genuína, os teus filhos querem de volta a mãe carinhosa, a tua família quer de volta o teu sorriso, o teu trabalho quer a tua dedicação. Onde estás tu? Que entidade é essa que se apossou de ti como um espectro e não te deixa ser feliz, não te deixa viver? O amor é o mais perigoso sentimento que podemos viver. Quando se vira do avesso, se não formos fortes e sensatas o suficiente, destrói-nos a essência. Corrói tudo de bom que existe à nossa volta, deixa-nos cegas para tantas manifestações de afecto que gravitam à nossa volta, pois só temos olhos para um amor que se foi, para um amor que não vai voltar, para um amor que fechou aquilo que fomos e o que viveu connosco numa caixa… e atirou a chave ao mar.


 

 

 

Saving All My Love For You - Whitney Houston

Do Blog ao Livro

por aspalavrasnuncatedirei, em 02.06.08

  

Imagem Retirada da Internet

 

Quando o discipulo estiver pronto o Mestre aparece”. Esta foi sempre a máxima que tive em mente no que diz respeito à publicação dos textos do blog. Com muita frequência os meus visitantes diziam que eu deveria transformar os posts em páginas de um livro, ao que sempre respondi que esse era um dos sonhos que tencionava, um dia, poder vir a realizar. Pois é, meus amigos da blogosfera, parece que esse dia finalmente chegou e o meu coração já não cabe no peito de tanta felicidade. Recentemente recebi a visita de uma Coordenadora Editorial que me disse que gostava da forma como escrevia e deixou nos comentários o seu endereço electrónico para a poder contactar. Foi com as mãos a tremer que lhe enviei o e-mail com os meus dados, foi com a voz embargada que marquei a reunião e foi com os olhos a brilhar que ouvi o «-Sim, vamos publicar». Agora estamos na fase da operacionalização deste projecto, por isso um dia destes terei o prazer de vos convidar para o lançamento do livro. Não posso deixar de agradecer às inúmeras pessoas que diariamente passam por aqui e me deixam os seus comentários, os seus elogios ao que escrevo e retribuir-lhes esse carinho. A vossa simpatia fez sempre com que a minha vontade de escrever fosse maior, e o vosso incentivo nunca me fez deixar de editar posts. A todos, de coração, o meu muito obrigada. I feel good - James brown

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