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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Love it

por aspalavrasnuncatedirei, em 07.11.15

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Gosto, gosto muito, de dias solarengos, daqueles que abrem de par em par as janelas da nossa alma e aquecem a nossa essência, com boas energias, logo pela manhã.

 

Gosto, gosto particularmente, da minha família, que é perfeita porque tem sido construída com as imperfeições de cada um dos seus elementos, a começar por mim, e cada aresta é limada nas suas fragilidades, pelo amor que nos une.

 

 

Gosto, gosto bastante, do meu trabalho que está longe de ser o ideal, está longe de gostar de mim como gosto dele, mas é nesta aventura diária que dou sentido à minha vocação, é nele que me entrego e me cumpro como pessoa que considera sempre que se pode fazer um bocadinho mais pelo outro, porque a minha profissão vai muito para além de manuais, de conteúdos programáticos, de ministros e ministérios, o meu trabalho são os meus alunos, são os seus sorrisos, a grandiosidade das suas almas atrevidas.

 

Gosto, gosto com paixão, de praia (mais no Inverno, menos do verão) é incrível aquela sensação de paz e limpeza interior que nasce num passeio pela areia, à beira-mar, é mágica a frescura da água que nos vem beijar os pés, é pacificador receber a dádiva de amor do sol que se esconde no horizonte com a promessa de amanhã regressar.

 

Gosto, gosto com devoção, de livros: como ficar indiferente ao cheiro de páginas novinhas acabadas de folhear? Como resistir ao apelo do título, à textura da capa? Como não nos apaixonarmos pelos seus heróis e como não odiar os seus vilões?

 

Gosto, gosto com todos os meus sentidos, de música, a minha alma é uma pauta onde alguém escreveu uma melodia. Toda eu sou um banco de dados, cronologicamente ordenados, das músicas que me acompanharam ao longo desta pista de dança que se chama vida.

 

Gosto, gosto com prazer, de noites frias a comer gelado de caramelo, embrulhada numa manta, a ver um filme até adormecer antes do seu final, vencida pelo cansaço dos dias, com a cabeça no teu ombro que é a mais doce das almofadas.

 

Gosto, gosto com o coração a transbordar de alegria, de festinhas no cabelo, vindas das mãos pequenas dos meus filhos quando me enrosco no sofá que aproveitam a oportunidade para me despentear com mimo e emaranhar com ternura os seus dedos pequenos, no meu cabelo longo. Prazer supremo é ainda o teu toque, de mãos decididas e seguras, que desliza carinhosamente pelos meus fios dourados, onde em cada madeixa depositas uma dádiva de amor.

 

Gosto, com todo o meu coração, das minhas amigas. Hoje percebo perfeitamente a frase que diz «Os amigos são a família que nós escolhemos». Nem sempre as exigências desta vida louca em que vivemos nos permitem disfrutar da companhia umas das outras, mas o que importa é que nos dias em que a vida se torna mais pesada, estamos sempre lá. Não para dizer palavras doces ou mascarar a verdade, mas para dizer aquilo que cada uma de nós precisa ouvir, porque os verdadeiros amigos defendem sempre que, vale mais uma amarga verdade, do que uma doce mentira.

 

Gosto, gosto com ternura, de abraços! Aquela sensação mágica de ter alguém nos braços, como uma cidadela de afetos. Aquele momento em que os corações batem frente a frente, o rosto se encaixa no ombro, o perfume suaviza as nossas mágoas.

 

Gosto, gosto eternamente, da minha mãe e de tudo o que aprendi com ela, do brilho dos seus olhos maravilhosamente azuis, da sua capacidade única de transformar cada uma das minhas lágrimas numa centelha de esperança.

 

Gosto, gosto com todo o amor da minha alma, de duas criaturas a quem sempre chamei “Pantufinhas” porque me ensinaram o significado da expressão «amor incondicional» e porque ao olhá-los nos olhos percebo o sentido da vida que vim viver.

 

Gosto, gosto muito de me sentir abençoada, por ter a sorte de fazer esta travessia ao lado daquelas pessoas cujo abraço me liberta do cansaço, da tristeza, do peso dos dias mais difíceis. E gosto, que também elas sintam no meu abraço o porto seguro que precisam para ancorar.

 

 

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