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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Cartas de Amor

por aspalavrasnuncatedirei, em 11.10.15

“Todas as cartas de amor são ridículas” dizia Fernando Pessoa na pele de Álvaro de Campos mas apesar da enorme admiração pelo hortónimo e pelo heterónimo, não podia discordar mais.

Numa era em que as tecnologias tomaram conta das nossas vidas e se tornaram o veículo da manifestação das nossas emoções, continuo a ser apologista, e uma séria defensora, das cartas de amor.

Que bom que é escolher um papel bonito, ir buscar a nossa melhor caneta, aquela que nos faz a letra mais bonita, e desenhar um laço que una o nosso coração àquela folha em branco. Custa começa, eu sei, é verdade, são tantos sentimentos que se atropelam, cada um deles a querer manifestar o seu carinho, o seu desejo, a sua paixão. São apressados, não fazem fila, não se organizam ordeiramente e a nossa mão, de repente, é impelida a escrever em êxtase tudo o que lhe vai na alma.

E sim, aqui até podemos ser um bocadinho “ridículos” mas ao amor tudo é permitido, não nos coibimos de usar palavras tolas, doces, diminutivos, metáforas, hipérboles e um sem número de recursos estilísticos que sejam uma expressão sintomática de tudo o que sentimos.

Depois assinamos, perdemos infindáveis minutos a escolher a expressão certa para colocar termo a tão importante missiva, não queremos ser lamechas, não queremos ser formais, queremos apenas que o destinatário daquelas palavras sinta, quão verdadeiro é, aquilo que escrevemos.

Fechamos a carta, seguramos o selo como se fosse de cristal e colamo-lo com jeitinho. Olhamos emocionadas para aquele pedaço de amor branco que vai voar dos nossos dedos. Depositamos-lhe um beijo na esperança que a acompanhe ao longo de todo o trajeto e que ainda esteja fresco no momento da receção.

Ao colocar a nossa carta no correio ficamos com um sorriso doce a imaginar o rosto daquele a quem escrevemos. Imaginamos a sua perplexidade ao abrir a sua caixa do correio, imaginamos o seu olhar iluminado ao ver a nossa letra, a sua admiração ao reconhecer-nos no remetente e a sua felicidade ao descobrir o que nos ia na alma.

Enviar uma carta de amor a quem amamos, pode ser uma forma antiquada de manifestar os nossos sentimentos, mas é sem dúvida uma forma bonita de marcar a diferença.

 

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