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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Às vezes no silêncio da noite…

por aspalavrasnuncatedirei, em 29.11.15

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Fui à gaveta buscar a mantinha axadrezada de mimo, enrosquei-me nela, no calor de um chá de maçã com canela e na paixão de um livro. Acendi a lareira para que o crepitar da madeira me aquecesse os sonhos, coloquei aquele CD que habitualmente sopra os seus acordes nos dias mais intranquilos e recostei-me sobre as almofadas no chão.

Comecei a leitura preguiçosa de uma história que me fizesse esquecer de mim, novas personagens, novos enredos, finais felizes era tudo o que eu queria para as horas silenciosas desta madrugada. Traiçoeira, a minha mente leva-me até ao teu sorriso tímido, até ao negro penetrante dos teus olhos, aos teus braços fortes que imagino ternos à minha volta. O teu rosto vai e volta como uma fantasma atrevido que me circunda, rodopia, sussurra… só para me obrigar a assumir que penso em ti, bem mais do que queria, bem mais do que devia. Coloco o livro de lado, deixo aquela história para depois, fecho os olhos e inspiro-te, permito à minha imaginação voar livremente ao teu encontro, na esperança que também penses em mim e que as nossas almas se encontrem a meio do caminho.

A voz possante de Nina Simone traz-me de volta à sala, canta ironicamente “I Put a speel on you” faz-me indagar se exerço sobre ti o mesmo fascínio que tens sobre mim. Este jogo de gato e rato, de toca e foge, de quero mas não posso, este pó de perlimpimpim que se chama desejo, que se faz muito mais de vontades do que de poções mágicas… serei eu, entre nós, a única a sentir-me assim?

As horas preguiçam descaradamente ao meu lado no sofá, o chá arrefece na minha caneca favorita, as cinzas adormecem distraídas na lareira e eis que chega de mansinho Caetano Veloso. Traz a viola ao ombro, mão no bolso, sorriso de quem já conquistou o mundo, debruça-se sobre mim dando-me um beijo terno na testa. Senta-se nas almofadas ao meu lado e canta baixinho só para mim: “Às vezes no silêncio da noite… eu fico imaginando nós dois… eu fico ali sonhando acordado… juntando o antes, o agora e o depois…” e evapora-se deixando-me sozinha novamente.

Uma lágrima estranha, cujo significado é indecifrável escorre pela minha alma. Não sei o que é isto que sinto… mas queria tanto que estivesses aqui…

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