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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Almas destinadas...unem-se no momento certo...

por aspalavrasnuncatedirei, em 03.02.16

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Depois de arderem nas labaredas de uma paixão avassaladora que lhes consumiu primeiro a carne, depois o amor e mais tarde os sonhos até à exaustão, seguiu-se uma fase estranha e conturbada, alimentada por dúvidas, o que os fez decidir que o melhor para as suas vidas era separarem-se. Ela seguiu a estrada à esquerda com os olhos postos na linha do horizonte, ele optou pelo caminho da direita e não olhou para trás. Esqueceram-se de um pormenor importantíssimo: é que o mundo é redondo e no fim dos seus trilhos, cruzaram-se novamente.

Pelo meio, alguns anos a separá-los, cada um deles conheceu novas pessoas, voltaram a apaixonar-se, a jurar que era para sempre, mas no véu do tempo a perenidade do romance esfumava-se.

Encontraram-se novamente quando se desencontraram da vida, quando tudo à volta deles parecia ruir. Ela saiu disparada do trabalho não aguentando mais a pressão, não suportando mais o chefe, não tolerando mais a incompetência daqueles com quem trabalhava. Ele saiu porta fora de mais uma relação vazia, farto de ciúmes, de birras e de lágrimas sem sentido. Cansada, encaminhou-se para a ponte, gostava de ver os barcos a passar, imaginar a felicidade daqueles que chegavam e as inseguranças daqueles que partiam. Ele gostava de ver as luzes projetadas no rio e ver os seios saltitantes das meninas que corriam por ali.

Sem que nada os tivesse preparado…os seus olhos tropeçaram um no outro, já a ponte estava a meio, quando lhes era impossível dar um atrás para fugir ao destino. E nesse instante a magia aconteceu: as gaivotas calaram o seu canto, os barcos silenciaram o seu apito, os carros desligaram os motores e as meninas que corriam ficaram imóveis, a água do rio pacificou o seu curso. Só a melodia dos corações assustados os envolveu, só o eco dos tempos em que foram felizes se fez ouvir, só o amor que um dia sentiram gritou mais alto que tudo na vida naquele momentol.

Aproximaram-se lentamente… ficaram a ler nos olhos um do outro, toda a felicidade sentida naquele momento, o brilho há tanto tempo perdido começava agora a despontar. Ele, para ter a certeza que não estava a sonhar, passou as mãos pelo seu cabelo negro tomando-lhe o acetinado dos caracóis. Ela fechou os olhos para se equilibrar e não desfalecer naquele afago. Sentindo-a trémula, abraçou-a tremendo também. Naquele instante perceberam o motivo de todas as relações falhadas, todos os sonhos desiludidos, toda a procura que os trouxera até aquela ponte. O motivo era simples: quando duas almas estão destinadas a ficarem juntas, o tempo encarrega-se se as unir no momento certo.

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