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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Metáfora da Bóia

por aspalavrasnuncatedirei, em 25.01.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

 Imagina que a vida eras tu, numa bóia. E que essa bóia apenas tinha de descer o rio, e que o objectivo era receber sol no corpo todo, deixar a energia do sol entrar na tua pele toda.


Vinhas todos os dias, apanhavas a bóia onde a tinhas deixado no dia anterior, e apenas te deixavas andar. Até que um dia, quando tranquilamente chegasses ao mar, estarias toda energizada pela luz do sol, por igual.


Isto aconteceria porque te deixaste simplesmente ir, simplesmente a bóia foi-se virando, e foste exposto ao sol das mais variadas maneiras. E como tudo é sábio na Natureza e nas correntes, nunca uma bóia ficaria muito tempo numa só posição. Nunca irias queimar-te demasiado numa só parte. Nunca te atrasarias ou adiantarias, porque a corrente sabe o tempo que o caminho demora a percorrer.


Este é o percurso da vida. Chegar a tempo, intacto, descansado, tocado pela Natureza e conhecedor dos Homens. Esse é o caminho da evolução humana.

Mas não é isso que os homens fazem!!!

Bóiam na beira do rio agarrados à margem, pois têm medo do sabor das águas. Não querem ser levados para onde o vento quiser. Querem ser os donos do caminho.


Acaba por chegar uma altura em que deixam de boiar. Arrastam-se pela água a tentar controlar o movimento, a tentar nadar. Debatem-se contra o sol, o seu fiel companheiro. Não querem o sol aqui, nem ali, e nas suas tentativas de organizar as coisas ficam doentes, queimados e feridos.

Pensam em abandonar o rio e ficar nas margens a fazer negócio com os que passam a boiar. Ou em nadar na direcção contrária, pois acham mais seguro. Afinal, foi daí que vieram, e o futuro não é o seu lugar.


Claro que o Universo de ressente desta falta de harmonia, e todos começam a ficar doentes. O rio, porque tem pessoas a nadar contra a corrente; as margens, porque têm gente mais tempo do que deviam e as pessoas porque estão a viver contra a sua natureza.


Até que um dia algo as faz despertar. Um toque de Deus, um anjo, um acontecimento. Percebem que a corrente vai para outro lado e esse não é o caminho. É claro que travam a fundo, mas o que é que acontece quando vais a 200 km por hora?


Primeiro a bóia começa a parar, mas ainda anda na direcção contrária. Depois pára, mas ainda está muito longe do sítio onde inverteu a direcção. Depois de parada, é altura de a bóia perceber para onde deverá ir. Tem que ficar quieta, ao Deus-dará, para recuperar o sentido da corrente.


Quanto mais tempo navegou em direcção contrária, mais difícil será recuperar a noção da corrente original.


Na vida deverás aprender a boiar, conhecer o barulho do vento, de onde vem, para onde vai, como sopra e para onde te leva. E quando no meio do rio tiveres medo do desconhecido, deverás fechar os olhos e confiar. Ter fé que as águas só te levarão para onde for o teu caminho, e só irás demorar o tempo que for necessário a lá chegar. Isso é ter fé.

Texto adaptado

Alexandra Solnado



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