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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Referendo de Amor

por aspalavrasnuncatedirei, em 14.04.07

 

                      Imagem Retirada da Internet

 

Fez-se um referendo. Ganhou o NÃO por maioria absoluta. Todos votaram contra nós. Contra o nosso amor, contra a nossa vida em comum. Veio à luz da Imprensa o parecer dos colegas de trabalho, dos amigos, dos conhecidos, é até mesmo daqueles que não nos conheciam. Saiu na primeira página dos Jornais a opinião da minha família, da tua família, dos nossos pais, dos nossos filhos. Ouviu-se na Rádio a opinião dissuasora daqueles que dizem que nos conhecem, que sabem quem somos e o pouco que sentimos. No horário nobre das Televisões os jornalistas mais mediáticos combatiam-nos com reportagens assustadoras. Nas revistas cor-de-rosa não faltaram rios de tinta que anunciavam como se ateou, como se incendiou e como se extinguiu a chama do nosso amor. Vieram os Médicos que nos passaram um atestado de óbito, dizendo que não interessava que o coração batesse, que o que interessava era o poder da razão. Vieram os Agricultores provar que o nosso amor crescia em solo infértil, estéril, que jamais daria fruto ou flor. Vieram os Pescadores e mostraram que as redes que atiravam ao nosso mar dos nossos sentimentos, só colhiam mágoa, tristeza e dor. Vieram os Astronautas dizer que no nosso céu não brilhava nenhuma estrela. Vieram os Ambientalistas dizer que éramos responsáveis pela intoxicação daqueles que nos rodeavam. Vieram ainda os Videntes dizer que It wasn’t meant to be. De nada adiantou a nossa campanha eleitoral, de nada adiantaram as bandeiras que hasteámos em prol do SIM. Nem as faixas quilométricas penduradas nas varandas, os autocolantes colados nos vidros dos carros, as canetas, e os porta-chaves. E o pior de tudo é que deixámos que nos convencessem que tinham razão. É oficial. Separaram-nos. E já saiu o Decreto-lei promulgado no Diário da República.

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