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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Vai onde te leva a ilusão

por aspalavrasnuncatedirei, em 25.07.16

alma de pássaro.jpg

 

A maior prova de amor que te dei… foi deixar-te partir…

 

O meu coração esteve desde o primeiro instante de janelas abertas permitindo-te que voasses no momento em que achasses que precisavas de o fazer. Estava convicta que quando ao longe ouvisses as nuvens sussurrar o teu nome isso daria uma vontade gigantesca de percorrer o céu misterioso. Sabia que chegaria o dia em que as caravelas no alto mar te iriam acenar com as cores das aventuras estampadas nas suas velas, suplicando-te que as acompanhasses. Vislumbrava que chegaria a noite em que te deixarias seduzir pelo mágico canto das sereias e que terias o desejo de te perder na sua voz feiticeira. Tinha ainda a certeza que chegaria o momento em que ao olhares o nascer do sol, verias o rosto crestado dos Tuaregues e a voz indecifrável deles ecoaria nas tuas memórias pedindo-te para regressar e que o calor das areias do deserto convidar-te-iam a atravessá-las, perdendo-te nas dunas, mas encontrando-te a ti.

 

Nunca imaginaste que eu tivesse a coragem de te deixar ir, pois não? Jamais pensaste que pudesse abrir o meu peito para que te evaporasses dele, jamais se afigurou no teu pensamento que te iria desalojar de mim, que seria capaz de te afugentar da minha vida, de te apagar do meu corpo, de te fazer dissipar da minha alma. E, acima de tudo, admirou-te o facto de nunca te ter pedido para ficares.

 

Não o fiz por não te amar, muito pelo contrário, foi em nome de tudo o que senti por ti, foi pela intensidade desse sentimento que me habitava, foi porque me corrias nas veias, que me afastei dessa tua senda, te deixei voar rumo ao desconhecido e apenas gemi baixinho num fio de voz doloroso: “ – Vai onde te leva a ilusão”.

 

E tu foste… e voaste… sentiste o vento arrepiante nas asas, o calor sufocante do sol nas plumas de pássaro sombrio, inalaste o aroma da imensidão do céu quando te embrenhaste no mundo à tua frente. Experimentaste assim o desapego que tanto desejavas, deambulaste por esses trilhos plenos de novidade, procurando um novo rumo para os teus dias. Mergulhaste decidido no sal de outros mares, no mel e traiçoeiro canto das sereias e fizeste-te acompanhar de pássaros tão perdidos como tu.

 

E eis que uma incomensurável sensação de vazio, uma dolorosa sensação de perda, se apodera de ti. Jamais tinhas imaginado que, quanto mais te afastavas para longe de mim… mais o amor que deixavas para trás te fazia sentir perto, mais o amor por mim crescia… mais se apoderava de ti a certeza que nunca deverias ter partido.

 

Sabes, ainda bem que foste, só descobrindo o que pensavas que estavas a perder (que valia tão pouco perto do que tínhamos), só mediante a visão de tudo aquilo que abdicaste, te foi possível desvendares que ao meu lado já possuías tudo o que querias.

 

Parece um contrassenso, não parece? Querias tanto ser livre, não estar preso a nada nem a ninguém que não percebeste que a maior liberdade que podias sentir, estava no amor que te dava porque nunca fui um nó na tua vida, apenas me envolvi em ti num laço.

……………………………………………………………………….

Texto: Sandra Barbosa

Todos os direitos de autor reservados

Imagem: Retirada da Internet

 

 

- Anda!

por aspalavrasnuncatedirei, em 07.07.16

vem1.jpg

-  Anda!

E eu fui, sem saber para onde me levavas, sem me preocupar onde esse caminho, que segui de olhos vendados, me iria conduzir. Apenas fui… porque habitava-me a convicção que iria onde quer que me guiasses, com tudo de bom e de mau que daí pudesse advir.

 

Esta é a minha forma de amar, só acredito no amor assim: baseado numa confiança extrema, determinada, capaz de nos levar ao limite, capaz de nos fazer testar todos as nossas convicções, com capacidade de abalar todas as nossas crenças. Não confio naqueles que amam com «ses», que só se apaixonam «quando», que só se entregam «a menos que», que investem «a não ser que» ou é amor, ou não é, e se não é amor… então não é suficiente!

 

Foi por isso que, quando me olhaste nos olhos e disseste «-Anda» eu dei-te a mão sem vacilar, mesmo sabendo que os caminhos do amor são enigmáticos e ininteligíveis. A senda amorosa é um percurso fantástico: mesmo que saibas de onde vens, mesmo que almejes saber para onde vais, mesmo na posse do conhecimento da pessoa que foste construindo ao longo dos teus dias até chegares aqui, cada vez que a tua vida se entrelaça no destino de alguém, descobres um ser novo dentro de ti, que desconhecias existir até então, e é exatamente por isso que vale a pena perder a segurança de ter os pés no chão para ganhar um palmo acima dele e levitar nas asas do amor.

 

O amor faz-nos maiores, faz-nos imensos e aqueles que amamos são sempre um espelho daquilo que somos: há pessoas que refletem aquilo que temos de melhor e outras são o resultado do nosso lado mais sombrio. Há pessoas que nos acrescentam: em felicidade, em compreensão, em sabedoria, em segurança, em paz interior, em magia e aquelas que nos diminuem: na alegria, no júbilo dos dias, nos sonhos e projetos, naquilo que somos.

 

E foi por isso que quando disseste «-Anda» eu dei-te a mão sem pestanejar e deixei que me levasses e guiasses pelos trilhos que construíste, o meu gesto assertivo foi a forma que encontrei de te dizer «-Sim, vou! Leva-me com tudo o que eu tenho de bom, aceita-me nas minhas fragilidades e faz-me descobrir a mulher que poderei ser ao teu lado eu prometo fazer exatamente o mesmo contigo.»

E é isto que desejo a cada amanhecer, que tu olhes para mim com a convicção que queres ter-me ao teu lado para te acompanhar seja qual for o mapa que leves na mão, seja qual for o destino que temos pela frente e eu quero responder-te afirmativamente com a certeza que é ao teu lado que quero percorrer o meu caminho.

- Anda!

- Vou!

 

……………………………………………………………………….

Texto: Sandra Barbosa

Todos os direitos de autor reservados

Imagem: Retirada da Internet

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