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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

No amor, como na vida, são precisos dois para dançar o tango

por aspalavrasnuncatedirei, em 26.03.16

 

tango 2.jpg

O tango é a dança mais bonita e sensual que conheço, fascina-me a simbiose dos corpos dos bailarinos que se movem a um ritmo intenso, apaixonado, avassalador. Deslumbra-me a sensibilidade visível nos seus sentidos, a expressão sofrida dos seus rostos na medida em que o tango é um pensamento triste que se pode dançar.

No amor, como na vida, são precisos dois para dançar o tango, quando o amor surge traz com ele uma história nova para viver, sorrisos cúmplices para partilhar e é impossível ficar indiferente às sensações despertadas, ao arrepio da pele provocada pelos desejos, ao bater descompassado do coração, aos sonhos que se querem viver a dois e tornar reais. Mas no amor, como no tango, são precisas duas pessoas com vontade de tornar aquele relacionamento perfeito, há toda uma entrega à música, ao ritmo, à melodia da vida. Há uma necessidade urgente de amar o outro respeitando-o na sua essência, naquilo que tem para acrescentar à nossa vida e naquilo que vai levar de nós para o seu âmago.

Não adianta um impor ao outro o seu estilo, é um erro crasso cada bailarino dançar na direção que escolheu arrastando a contra vontade o seu par, é tremendamente egoísta fazer o parceiro dançar apenas ao ritmo do seu compasso, porque a harmonia nasce quando se respeita a cadência do outro.

Não chega um dos amantes amar demais, amar pelos dois, não é suficiente que apenas uma pessoa se esforce unilateralmente para que aquela relação dê certo, para que aquela dança flua no soalho brilhante e os corpos flutuem ao ritmo da paixão.

No amor, como no tango, não há movimentos perfeitos, não há felicidade sem esforço, sem dedicação, sem determinação ou empenho, mas quando os bailarinos decidem que querem fazer a diferença não há nada que os detenha, não há obstáculos intransponíveis, não há homem ou mulher que impeça que a dança da vida se paute em direção à linha do horizonte.

 

……………………………………………………………………………

Texto: Sandra Barbosa

(Todos os direitos de autor reservados)

Imagem: retirada da Internet

És tu que me susténs

por aspalavrasnuncatedirei, em 20.03.16

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És tu que me susténs… ainda que não o saibas… ou ainda que isso seja invisível aos olhos do mundo.

Por isso… preciso de ti… por nenhuma razão em especial, apenas por tudo, inspirada por nada. Sustém-me esse sorriso maroto, que se te acende em rastilho do peito ao rosto, num relâmpago de amor que me ilumina os dias. Quero encontrar-me no brilho dos teus olhos faroleiros que me fazem rumar ao cais onde te escondes, para te desvendar nos mistérios que sei ainda que estão por descobrir.

São os teus braços que me envolvem quando o peso dos dias me faz vergar à tristeza, à fadiga, ao desapontamento dos sonhos e é no teu abraço que encontro o berço que me embala a coragem para voltar a acreditar na primavera dos dias.

Preciso de ti… para poder deitar a minha cabeça no teu peito e ouvir o tic tac de um coração que trabalha com a precisão de um relógio suíço. Careço de uma necessidade urgente de te ouvir gemer baixinho o meu nome, em doces ecos surdos de amor. Sonho em adormecer no teu colo e repousar em ti este permanente cansaço que de forma alquímica transformas em energia que vibra de felicidade.

És tu que me susténs… porque a minha alma já não me pertence, abandonou-me há muito e habita descaradamente na tua. Por isso, preciso que te libertes de todos os medos e dúvidas, que te deites ao meu lado, que me afagues a alma de forma carinhosa e protetora, que digas que vieste para ficar e não me vais deixar sozinha a naufragar em vagas de solidão e incerteza. E amanhã, quando eu acordar… preciso que estejas exatamente no mesmo sítio.

És tu que me susténs… ainda que jamais o saibas… ou ainda que isso seja indiferente aos olhos do mundo.

 

Texto: Sandra Barbosa

(Todos os direitos de autor reservados)

Imagem: Retirada da Internet

Adoro amanhecer-me contigo

por aspalavrasnuncatedirei, em 14.03.16

Acordar contigo 1.jpg

 

Despertar de janela aberta onde dança harmoniosamente o espanta espíritos, com vista para o pôr-do-sol alaranjado ao fundo, onde a meio de um campo de girassóis, respiram duas chaminés de uma fábrica há muito extinta, mas nós continuamos a olhar para ela como se fumegasse, só porque sim, só porque torna o cenário idílico, porque nas nossas histórias imaginamos padeiros barrigudos e enfarinhados no nariz, a cozer pão quentinho pela madrugada especialmente para nós.

Sei que o despertador irá ecoar nos cantos e recantos do quarto dentro de alguns minutos, vai levar-te para longe de mim em mais um dia de trabalho, mas antes disso, encarregar-te-ás dessa tarefa hercúlea de me tirar da cama, de me despertar da melhor forma que sabes, para que o meu dia comece feliz.

Abro os olhos para te admirar… não deixo de pensar na sorte que tenho em te ter aqui deitado ao meu lado, gosto tanto de te ver dormir, o teu ar sereno a beber cada segundo de descanso, porque sabe que esses momentos são tão escassos e preciosos.

Respiro-te para me encher de vida. Beijo imaginariamente a tua pele macia para não te acordar, assim como o teu corpo nu, deitado quentinho ao meu lado, esse corpo que eu tanto amo e desejo.

E volto a fechar os olhos só para poder ser despertada por ti. É tão suave o acordar ao teu lado… começo por sentir a tua boca nos meus olhos, beijos meiguinhos dados por lábios ensonados também, que se abrem só para dizer baixinho «- Acorda querida». Eu, para prolongar este doce momento, continuo a fingir que ainda durmo para que os teus mimos não se detenham. Tu, ou porque finges que não percebes e entras no meu jogo, ou porque adoras a tarefa diária de me tirar do mundo dos sonhos de forma prazerosa, continuas essa dança melada ao meu redor.

Ao meu ouvido a tua voz insiste «- Vamos chegar atrasados dorminhoca» e eu começo a ronronar cheia de mimo «- Só mais um bocadinho». É neste momento que a tua barba se une em complot com as minhas cócegas e não me dão tréguas. Sinto o teu corpo a esconder-se debaixo do édredon e sou atacada por uma avalanche de beijos, suaves mordidelas, barba de dois dias ainda por desfazer e as tuas mãos-travessas na minha barriga. Dobro o riso em gargalhadas bem-dispostas, contorço-me de felicidade debaixo da alvura dos lençóis e escondo-me contigo neste ninho de amor.

O que acontece a seguir pouco importa: se fazemos a vontade aos corpos e aos sentidos e nos amamos, se damos voz à responsabilidade e nos arrastamos para o chuveiro para ir trabalhar, só interessa que os nossos dias começam assim, com o pôr-do-sol ao fundo, as duas chaminés a fumegar e a nossa vida a dois, a despertar para mais um dia de viagem lado a lado.

Adoro amanhecer-me contigo!

 

Texto: Sandra Barbosa

(Todos os direitos de autor reservados)

Imagem: Retirada da Internet

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