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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Uma Nova Eu

por aspalavrasnuncatedirei, em 27.06.14
 

Depois de tanto tempo, em queda livre, de descida aos infernos, depois de uma longa travessia pelo deserto, olho para o espelho e não reconheço a mulher que está à minha frente. Tem a minha altura, o cabelo ruivo como o meu, as mesmas sardas, mas os olhos têm uma expressão diferente da que sempre tive.

Tenho tentado dizer-te que mudei, mas estiveste sempre demasiado focado em ti para te aperceberes da transformação. Pareces surpreendido…quando já não tremo ao ouvir a tua voz, já não sinto o coração descompassado quando entras em casa, já não definho de saudades tuas, mesmo quando nos separávamos por cinco minutos, já não sinto a pele a arrepiar quando me tocas e o meu olhar, há muito que se desencontrou do teu.

 A que se deve tudo isto, pergunta incrédulo o teu ego…fui sempre tão transparente, só tu não viste que as torres desse castelo de cristal se estilhaçavam lentamente. Nunca aceitaste que pudesse ter uma vontade diferente da tua, não permitiste que voasse para além das tuas asas, não quiseste que construísse outros sonhos que não fossem os teus.

 Demorei imenso tempo até chegar onde me encontro hoje, olho para trás e vejo que o percurso se fez de um sofrimento profundo, e foi entre os caminhos pedregosos que me descobri. Um dia, quando pensei que já não era possível dar mais nenhum passo em frente, algo em mim me fez avançar mais um bocadinho. Percebi que não eras tu que me prendias, era eu que não me libertava… fui eu que construí as amarras que desde sempre me prenderam a ti, fui eu que agrilhoei as asas que me impediram de flutuar na imensidão do céu azul, fui eu que colhi as velas da caravela que sou, com medo de (te) naufragar.

Hoje sei que sou mais corajosa do que alguma vez imaginei ser, sinto-me uma fénix renascida das cinzas, já não preciso da tua autorização para agir, já não preciso do teu consentimento para brilhar, já não preciso que peças desculpa dos teus erros, já não preciso que me dês o teu ar para respirar, já não preciso do teu amor para viver.

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