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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Preguiça...

por aspalavrasnuncatedirei, em 28.03.10

Imagem Retirada da Internet

 

Acordei tarde e cheia de preguiça depois de uma noite em branco a preparar as reuniões. Decidi que hoje vou tirar o dia para mim, não quero sair para tomar café, não quero o peixe assado da mamã, não quero ouvir o telefone, não quero saber de e-mails e o resto trabalho também pode esperar. Tomei um banho de imersão quentinho (meu Deus, há quantos anos não o fazia?) e voltei a vestir o pijama (adoro estar de pijama). Fui buscar a mantinha do mimo (aquela que já conhece de cor os filmes que eu e os pantufinhas vemos debaixo dela) e enrosquei-me num chá e num livro. Olho para a capa (presente de Natal à espera das férias do Verão) e penso que o meu tempo anda a ser mal gerido, faltam-me instantes para ler, para escrever, para viver… estou demasiado focada no trabalho. Olhei à minha volta, apreciei o silêncio (ainda me dói o silêncio), os brinquedos nas prateleiras, as sapatilhas no móvel, o chão imaculado sem vestígios de migalhas de bolachas, enfim:toda a casa tristemente arrumada. Há dias em que as lágrimas teimosas insistem em preencher o vazio que ficou, há dias em que estas paredes me sufocam de tão grandes que são, e há dias (como hoje) em que a alma e deixa iludir pela doce ilusão que tenho de aproveitar o tempo para fazer uma limpeza às gavetas e armários da minha vida. As horas preguiçam ao meu lado no sofá, o chá arrefece na caneca do Fernando Pessoa e o Caetano Veloso traz a viola, senta-se nas almofadas e canta só para mim – “às vezes no silêncio da noite… eu fico imaginando nós dois… eu fico ali sonhando acordado… juntando o antes, o agora e o depois…”.

 

 

8 Março - Dia de uma Grande Mulher

por aspalavrasnuncatedirei, em 08.03.10

Imagem Retirada da Internet

 

Hoje é Dia Internacional da Mulher, mas quando penso no 8 de Março, associo-o sempre ao dia do aniversário de uma das pessoas que mais amo. Sei que um dia destes virás visitar o meu blog e vais tropeçar neste texto, vais sorrir, vais chorar e vais sentir o coração apertadinho, como eu sinto tantas vezes o meu. Há dias assim, em que o amor que sentimos é tanto que transborda do coração e ao longo de todos estes anos, o meu continua a transbordar de amor por ti. Desde pequena que és o meu ídolo, a pessoa que considerei mais bonita, a mais carinhosa, mais perfeita. A família foi alargando, foi crescendo e nada nem ninguém ocupou o teu lugar, muito pelo contrário, o nascimento dos Pantufinhas fez-me perceber o outro lado e entender o significado da maternidade. Olho para traz e desfilam à minha frente os episódios que mais marcaram a nossa vida em comum. As primeiras memórias remontam ao tempo em que dizia que trocava o meu mealheiro por ti, telefonava para a Lua e dizia que era engano. Ainda me vejo de bibe azul, e tu a sorrir atrás do portão de grades do colégio para onde eu corria para te dar um beijo. Lembro-me da tua cara aflita quando me vias a brincar no telhado do terraço da rua de Santo António, dos nossos serões de mantinha e aquecedor. Lembro-me das nossas férias em S. Martinho, do orgulho que sentia quando as minhas amigas diziam que queriam ter uma mãe como tu. Recordo os meus tempos em Coimbra, da dificuldade que senti em me afastar de ti, das noites de sexta-feira em que partilhávamos a nossa semana, da forma como me fizeste seguir em frente, como me fizeste acreditar que seria capaz e da alegria que senti quando rasgaste a minha capa e o que aquilo simbolizou para nós. Recordo ainda com aquele dia em que o teu coração resolveu pregar-nos uma partida, pensei que te perdia e tudo o resto deixou de fazer sentido. Penso ainda no dia em que saí de casa de véu e grinalda, no misto de lágrimas de alegria e de tristeza que nos assolou e recordo o teu primeiro olhar sobre os teus netos. Não consigo deixar de pensar que talvez não seja a filha com que sonhaste, reconheço as tristezas que te dei, os caminhos que escolhi que sempre consideraste errados, o desapontamento que sentiste quando decidi mudar o rumo da minha vida. Continuas a ser a pessoa com quem mais desejo partilhar todos os meus momentos de felicidade, e é no teu colo que tenho vontade de deitar a minha cabeça para chorar, e se não o faço, é para não te deixar preocupada, e porque quero apenas ver-te sorrir. Hoje olho para ti com o coração cheio de alegria, porque estás connosco, porque existes, por comemorares junto daqueles que te amam o dia dos teus anos. Feliz aniversário mãe/avó Teresinha.

 

Nunca me Esqueci de Ti

por aspalavrasnuncatedirei, em 01.03.10

 

 

A porta fecha, a chave desliza pela ignição e de imediato o Rui Veloso senta-se no banco do lado a dar voz ao magnífico poema de Carlos T, Nunca Me Esqueci de Ti. O seu pensamento voa pelos acordes da melodia… Houve um tempo em que sabia de cor todos os seus movimentos, as cores que ela vestia, o perfume que usava, os livros que lhe adormeciam na cabeceira. Hoje desconhece as estradas por onde caminha, os terrenos que explora, os socalcos em que tropeça, as areias movediças em que se embrenha, a relva macia que lhe faz cócegas nos pés. Onde a levam os seus passos? Que outros passos caminham ao seu encontro para a receber? A vida é feita de isto mesmo, não são estradas planas, alcatroados, lisas que se desenham com traço fino de pincel, com mesclas de cor de felicidade. A vida faz-se de cruzamentos sombrios, com cores escuras e misteriosas. Nunca sabemos onde nos levam os atalhos e caímos na ilusão constante que aquele é o caminho mais perto. Ainda não chegámos a meio e já nos assalta o desejo de voltar atrás, mas o caminho inverso é proibido, é próprio dos fracos e daqueles que se recusam a aceitar um erro e crescer com ele, por isso, enchemos o peito de ar e avançamos, a medo, e com o desejo que melhores caminhos virão. Quando estes chegam, abrimos as janelas da alma de par em par para que o ar viciado nos abandone e inundamos os pulmões de ar novo, vida nova e continuamos a andar. Olha à sua volta, observa a estrada por onde desliza,  sem trambolhões, sem escorregadelas, sem altos nem baixos. Há muito que a vida desliza suavemente, aprendeu a aceitar os pingos de chuva que lhe tocam o rosto com a mesma sabedoria com que se deixa tocar pelos raios de sol.

 

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