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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Ensino em Portugal - Visto pelos Professores

por aspalavrasnuncatedirei, em 24.10.08

Imagem Retirada da Internet

 

Há dias em que a vontade de desistir do ensino é notoriamente superior à vocação. (Parabéns, Senhora Ministra, se era esse o seu objectivo, conseguiu!) Estou colocada numa escola que se situa longe da minha casa, todos os dias faço 140 kms, pago em cada mês 250 euros de combustível, 110 euros de portagens (sem qualquer subsídio ou ajuda complementar). Em Janeiro volto a estar desempregada, uma vez que a colega que estou a substituir irá assumir as suas funções. O facto de entrar às 8h 30ms, todos os dias, obriga-me a levantar às 5h 30ms e, o pior de tudo, obriga-me a levantar duas crianças pequenas da cama uma hora depois para os ir entregar a uma alma generosa, que toma conta delas enquanto o estabelecimento de ensino que frequentam, não abre as suas portas. Hoje, do meu horário escolar constavam funções docentes a três turmas, num total de três blocos de noventa minutos cada. Para além disso tinha, mais uma, reunião de Departamento que se iniciou às 18h30 e que só terminou às 21h 30ms. Nesta reunião, cerca de 20 professores lamentavam o sistema de avaliação em Portugal, procuravam soluções para um modelo cheio de erros, incorrecções, incongruências que não beneficia em nada os alunos e só serve para que os docentes sejam criaturas amargas no exercício das suas funções. Estive 13 horas a trabalhar na escola, entre aulas, correcção de trabalhos e a reunião. Quem me paga as horas extraordinárias? Quem é que toma conta dos meus filhos após o fecho da Instituição que frequentam às 19h 30ms? Quem é que os vai buscar à escola, lhes dá banho, os ajuda a fazer os TPC, os mete na cama e lhes dá um beijo de boa noite, enquanto eu cumpro horas extraordinárias, participo numa avaliação fantoche com o alto patrocínio do Ministério da Educação? Mas que espécie de mãe sou eu que abandono os meus filhos ao cuidado de terceiros com a desculpa esfarrapada que estou a cumpri o meu papel de professora e que (quer eu queira, quer não, quer os pais concordem, ou não), me obrigam a fazer o papel de mãe dos filhos dos outros. Cheguei a casa às 22h 30ms, exausta, desiludida, cheia de saudades dos Pantufinhas que dormiam serenos. Hoje estive com eles das 6h30 às 7h15ms, apenas nestes preciosos 45 minutos usufruí da companhia dos meus filhos. Ainda tenho que acabar de corrigir uns exercícios que os meus alunos fizeram, dar os últimos retoques nas aulas de amanhã. À semelhança dos dias anteriores, vou para a cama por volta das 02.00 e acordo três horas e meia depois para ir novamente trabalhar.

 

Ensino em Portugal - Visto Pelos Pais

por aspalavrasnuncatedirei, em 20.10.08

 

 

A minha caixa de correio electrónico é diariamente entupida por e-mails relacionados com as polémicas da educação. Esta carta de uma Encarregada de Educação dirigida à Ministra foi sem dívida o melhor que li. Desconheço a autoria, mas está genial.

 

Colegas: que vos faça rir.

Pais: que vos faça reflectir…

 

Ema. Sra. Ministra: 

1. Logo depois de ter lido aqueles documentos sobre a avaliação dos professores, pensei como lhe deveria agradecer, Srª Ministra. Afinal, aquelas horas passadas diariamente junto do meu filho a verificar se os cadernos e as fichas estavam bem organizados, a preparar a mochila e as matérias a estudar para o dia seguinte, a folhear a caderneta escolar, a analisar e a assinar os trabalhos e os testes realizados nas muitas disciplinas, a curar a inflamação de uma garganta dorida pela voz de comando 'Vai estudar!' ou pela frase insistentemente repetida, de 2ª a 6ª feira: 'Despacha-te, ainda chegas atrasado!' ou o incómodo e o tempo perdido para o levar diariamente à Escola, percorrendo, mais cedo do que seria necessário, um caminho contrário àquele que me conduziria ao meu emprego, tinham finalmente, os seus dias contados. Doravante, essa responsabilidade passaria para a Escola e, individualmente, para cada um dos seus professores. Finalmente, poderei ir ao cinema, dar dois dedos de conversa no Café do Sr. Artur, trocar umas receitinhas com a minha vizinha (está entrevadinha, coitadinha!) ou acomodar-me deliciosamente no sofá da sala a ver a minha telenovela brasileira preferida.

2. O rapaz ainda me alertou para os efeitos das faltas o conduzirem à realização de uma prova de recuperação. Fiz contas e encolhi os ombros - poupo gasóleo e muitos minutos de caminho, de tráfego e de ajuntamentos. Afinal, ele até é esperto e, se calhar, na internet, encontra alguns trabalhos ou testes já feitos... Sempre pode fazer 'copy - paste'...

Efectivamente, as provas de recuperação parecem-me a melhor solução para acabar com a minha asfixia matinal e vespertina. Ontem, a minha vizinha da frente, que tem dois garotos na escola do meu, disse-me que, se ele continuar a faltar, o vêm buscar a casa, e que, no próximo ano lectivo, os professores vão tomar conta deles depois das aulas.

3. Oiro sobre azul. Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem apresentar queixa junto das autoridades policiais. Ao Sábado, Srª Ministra, podiam ocupá-los com actividades desportivas ou de grupo, teatro, catequese, escuteiros, defesa pessoal...

4. O ideal mesmo era que os pudéssemos ir buscar ao Domingo, só para não se esquecerem dos rostos familiares. O meu medo, Srª Ministra é aquela ideia que a minha vizinha Sandrinha, aquela dos três garotos, comentava hoje comigo. Dizia-me que a Senhora Ministra quer criar o ensino doméstico. Eu acho que ela deve ter ouvido mal ou então confundiu o jornal da SIC com aquele programa da troca de casais do canal 24. Eu acho que isso não vinga em Portugal, porque não temos a extensão de uma América do Norte ou de uma Austrália e, por outro lado, tinha que comprar e equipar os VEI (veículos de educação itinerante), o que iria agravar mais o deficit das contas públicas e o insucesso dos nossos miúdos. Foi isso eu disse à Sandrinha. Acho que ela deve estar enganada. Logo agora, que podemos respirar de alívio porque não temos que nos preocupar com a escola dos garotos, essa ideia vinha destruir tudo, porque os obrigava a ficar em casa para receberem os VEI e aos pais ainda iria ser exigido algum acompanhamento.

5. A Senhora faça aquilo que decidiu e não oiça o que os inimigos dos pais e das mães lhe tentam dizer (já agora, lembre-se da minha sugestãozita!). Assim, os professores, com medo da sua própria avaliação, passam a dar boas notas e a passar todos os miúdos e, desta forma, o nosso país varre o lixo para debaixo do tapete, porque é muito feio e incomodativo mostrarmos, lá fora, que somos menos capacitados que os nossos 'hermanos' europeus.

Já agora acrescento: obrigado pelas aulas de substituição ... graças a elas o meu filho não sabe o que é brincar ao ar livre, correr, transpirar, cair, conviver... a indisciplina saiu dos recreios para as salas de aula, e por isso mesmo agora até levo o jantar ao quarto do meu filhote..

Uma mãe e encarregada de educação agradecida

 

As Mulheres e o Amor – 1000 Frases Apaixonadas

por aspalavrasnuncatedirei, em 03.10.08

 

Imagem Retirada de Internet

 

Ainda estava a saborear a publicação da Mulher Fantástica  aspalavrasnuncatedirei.blogs.sapo.pt/97243.html quando recebi um convite para uma co-autoria de um livro com uma pessoa multifacetada que é professor, pintor, escritor e é ainda responsável por uma empresa de publicidade no Rio de Janeiro, Marco. A ideia deste livro “luso-brasileiro” é espelhar a sensibilidade das Mulheres, de todas as mulheres que queiram colaborar connosco e que queiram partilhar a sua opinião. Não é necessário, que seja o amor homem/mulher, o que interessa é que seja Amor. Pelos filhos, namorado, marido, amante, natureza, vida... A intenção é recolher, pelo menos, mil frases (sim, leram bem) mil frases femininas sobre este sentimento. Desta forma nasceria uma colectânea com a visão de diferentes mulheres: as mais novas, as adolescentes, as de meia-idade, s conservadoras, as modernas, as radicais, as solteiras, casadas, divorciadas, enamoradas… enfim, a lista poder-se-ia prolongar. Já repararam que há o livro das 1000 Ideias Para Confeccionar Bacalhau, 1000 Receitas de Carne, 1000 Receitas de Peixe, 1000 Receitas da Cozinha Portuguesa 1000 Perguntas de Marketing, 1000 Lugares Para Conhecer Antes de Morrer, 1000 Tatuagens, 1000 Canções e Acordes de Guitarra, os 1000 Heróis de Jogos de Vídeo, 1000 Perguntas e Respostas, 1000 Perguntas Sobre Futebol, 1000 Exercícios de Preparação Física…a lista é interminável, falta apenas As Mulheres e o Amor – 1000 Frases Apaixonadas. Assim sendo venho solicitar a todas as meninas e mulheres que diariamente passam por aqui a vossa colaboração neste projecto. Basta que enviem para sandra_sofiabarbosa@sapo.pt uma frase sobre o amor e coloquem a vossa profissão, idade e o nome (se assim o desejarem). A todas, desde já, o meu muito obrigada pela participação.

 

   

Joe Cocker - You are so beautifuil

Adoptar um Amigo

por aspalavrasnuncatedirei, em 02.10.08

 

 É sempre bom ver a família a crescer. Vale a pena acolher esta ideia.

 

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