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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Mergulho no Mar

por aspalavrasnuncatedirei, em 29.06.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

Vagueava pela marginal quando os meus olhos repararam em ti. Estavas sentado à beira mar, perdido nesse teu mundo que fechas a sete chaves e onde não deixas ninguém entrar. (Pensarias em mim?) Lentamente fui ao teu encontro. Naqueles metros de areia que nos separavam revivi toda a nossa história. Todos os altos e baixos, os sorrisos e as lágrimas. Parei ao teu lado ignorando a tua presença e permiti aos meus olhos um mergulho na imensidão do mar. Senti o teu olhar incrédulo, as dúvidas que te assolaram naquele instante, as perguntas que calaste e as emoções que enterraste nos grãos de areia. Dei um passo e coloquei-me à tua frente. Nada disse, nada ouvi. Lentamente… desapertei, uma a uma, as sandálias e deixei-as cair. Levei as mãos ao pescoço e soltei o nó do meu vestido que desmaiou aos teus pés, desvendando-te o meu corpo alvo. Retirei o gancho do cabelo e deixei que os caracóis caíssem em cascata sobre os meus ombros nus, sobre o meu peito. A nossa troca de olhares era cada vez mais intensa, os nossos olhos diziam por nós tudo o que a boca calava, tudo o que o corpo pedia. Virei-me de costas e dirigi-me à beira mar. «-Que noite mágica.» (Recordo-me de ter pensado). Na água o reflexo de uma Lua Nova salpicada pelo brilho das estrelas. Ao meu lado a minha silhueta esguia e nua, atrás de mim, imóvel, sentado na areia… Tu. (Em que pensavas? Que desejos e imagens povoaram o teu pensamento?) Mergulhei. Senti o mar gelado a arrepiar-me a pele mas foi uma sensação breve porque naquele instante os teus lábios desprenderam-se da tua boca e vieram saborear o sal do meu corpo, aquecendo-o rapidamente. As tuas mãos, soltaram-se dos teus braços e vieram afagar o meu corpo molhado de mar e de amor. A tua alma, desprendeu-se do teu corpo e mergulhou em mim num momento indescritível de prazer. Depois, cheia de vida e de amor, renovada pelo mar e por ti, saí devagarinho…deixei que as ondas me levassem carinhosamente à tua presença. Novamente ali estava eu, nua à tua frente. Desta vez, dos fios do meu cabelo soltavam-se gotas de cristal que caíam sobre ti e te arrefeciam os desejos e o meu corpo pingava de amor por ti. Vesti-me em silêncio e a roupa molhada colou-se ao meu corpo numa intimidade que deveria ser tua. Coloquei-te docemente nos lábios um beijo salgado e fui-me embora… feliz… convicta de que o nosso amor é alquímico e que o meu mergulho no mar foi mais uma prova de que posso fazer amor contigo… sem nunca te tocar.
 

Posso Levar-te a Casa?

por aspalavrasnuncatedirei, em 27.06.07

Imagem: Campanha Publicitária da Luta Contra a Sida

 

«-Posso levar-te a casa?» Ouvi… e senti-me gelar. Olhei para o condutor do carro que parou ao meu lado e lá estavas tu, com o teu ar descontraído, como se ainda ontem nos tivéssemos visto. Não foi ontem… mas parece que foi… (tal é a tua presença em mim). Passou muito tempo desde a última vez que te vi, que te falei, que te toquei. Entrei. Dei-te um beijo tímido no rosto e rapidamente uma avalanche de recordações me envolveu. Continuas a usar o mesmo perfume (aquele aroma tão quente que sempre me deixou em brasa). «-Eu levo-te a casa», ouvi ao longe. A sensação que tive é que desde que entrei no teu carro, entrei noutra dimensão. Falavas de trivialidades, do que tinha sido a tua vida desde que nos separámos… mas eu nada ouvia, nada dizia… apenas sentia frio. Tocaste-me no joelho, quando meteste a mudança, e então acordei. Pediste desculpa, com um sorriso maroto, como se eu não soubesse que aquele “inocente” toque havia sido propositado. Olhei à minha volta, e embora estivesse bem longe de casa, percebi que aquele caminho me era familiar e, também ele, carregado de boas recordações! E, naquela altura, tive medo… Medo do caminho, de ti, mas acima de tudo… medo de mim! «Leva-me para casa», pedi-te com a voz a tremer. Mas tu ficaste surdo ao meu pedido e lentamente acariciaste a minha perna. Seguimos em silêncio. Paraste o carro naquele lugar onde outrora tantas vezes o fizeras, e disseste baixinho «- Senti tanto a tua falta». Envolveste-me num abraço que fez cair por terra todos os meus argumentos e defesas e foi então que, finalmente, o gelo se derreteu. Não sei quanto tempo ali fiquei, aninhada no teu abraço, perdida no teu cheiro, ansiosa por me perder no teu gosto. Lentamente, olhaste-me nos olhos e um arrepio de desejo percorreu todo o meu corpo. Nunca entendi o teu magnetismo, nunca percebi esse poder que exerces sobre mim, mas, naquele instante, percebi que seria incapaz de te negar o que quer que fosse. Puxaste-me para ti, sentaste-me no teu colo e, sem nunca retirares os teus olhos dos meus, abriste lentamente o fecho do meu vestido. Desviaste o teu olhar e pousaste-o, voluptuosamente, no meu peito, dando a perceber o quanto me desejavas. Senti o calor da tua boca e estremeci de prazer. Tremulamente, deixei que também os meus dedos desapertassem os botões da tua camisa, para que pudessem acariciar o teu peito, a tua barriga… Desapertei então o botão das tuas calças e lá estava a prova inegável de que me querias tanto quanto eu te queria. Entraste em mim e, como sempre, fiquei com a certeza de que os nossos corpos foram feitos à medida um do outro. Foi então que os teus olhos voltaram a procurar os meus… e por lá ficaram… Adoro fazer amor contigo assim, num abraço único… olhos nos olhos. Não existe melhor momento de comunhão dos  nossos seres.

Pantufinhas à Bolonhesa

por aspalavrasnuncatedirei, em 26.06.07

 

Já todos sabem que sou uma mãe galinha e a notícia também já se espalhou na blogosfera. Eu adoro os meus Pantufinhas mas há dias em que eles me tiram completamente do sério. Ontem ao jantar fiz Esparguete à Bolonhesa. Tinha acabado de colocar a comida na mesa quando me ausentei 2 minutos para ir ao telefone. Enquanto o telefonema durou, ouvi as gargalhadas felizes dos meus pequenos “terroristas” e calculei que deviam estar a fazer algum disparate. Mas nada me preparava para o que veio a seguir. Quando fui ter com eles, não acreditei no que os meus olhos viam… os pratos vazios e a bolonhesa… na cara deles, no cabelo, na roupa, na cristaleira, no chão, nas paredes, no candeeiro, até no tecto (não pensem que estou a exagerar, tive que ir buscar o escadote para limpar o tecto e o candeeiro). Não sei o que me passou pela cabeça mas “passei-me” completamente. Dei umas palmadas naqueles rabos gordos, meti-os na cama de castigo e sem jantar (o que lhes valeu é que já tinham comido a sopa). Enquanto eles choravam na cama, eu chorava na cozinha. Inacreditável!!! Como é que eles conseguem fazer tantos disparates, como é que eles conseguem levar um adulto a perder as estribeiras??? Passei o resto da noite a caminhar para o quarto deles, a vê-los dormir, enchi-os de beijos, afaguei-lhes os cabelos e pedi-lhes desculpa por não ter sabido evitar as palmadas e me ter ficado pelos castigos. Agora que já passou, não me orgulho nada daquilo que fiz, sou completamente contra as «palmadas pedagógicas»… mas acreditem que foi superior a mim. Hoje, por acaso, (nada é por acaso e não acredito que “acasos” existam) encontrei este poema de Vinicius de Moraes que me fez pensar que os filhos despertam em nós o que temos de melhor, mas também o que temos de menos bom.

 

 

Camisa Branca

por aspalavrasnuncatedirei, em 24.06.07

 

 

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Assim que cheguei à porta de casa percebi que estavas lá dentro. Rodei lentamente a chave na fechadura e nessa fracção de segundo fui assaltado por mil pensamentos. Estarias mesmo ali? Ao fim de tantos meses, depois de um silêncio tão grande? Claro que sim! O aroma do teu perfume é inconfundível e desde que cheguei ao Hall que fui invadido por ele.
Lentamente abri a porta e, como eu desejava, à minha frente estavas tu. Exactamente como sempre te imaginei. Tinhas a minha camisa branca vestida. Adoro ver-te com ela. E tu sabes disso, por isso a escolheste. As mangas levemente dobradas deixam ver a candura da tua pele, os botões, meio abertos, meio fechados, insinuam a curva do teu peito, a brancura do tecido deixa ver os contornos do teu corpo. Atrás de ti, e devido à claridade que entrava pela janela, visualizei a tua lingerie preta, as tuas pernas, e lá estavam as meias-ligas (huumm que sempre achei tão sexys).
Olhei-te nos olhos e percebi que lias os meus pensamentos. Tive vontade de te tirar a camisa branca, de te despir, de fazer amor contigo ali, no hall de entrada, e matar assim, todos os desejos, todas as saudades que tinha tuas. Mas tive medo de te assustar… (talvez por também eu estar assustado).
Aproximei-me, abracei-te com suavidade, com medo que fosses uma miragem e que eu estivesse a delirar. Com medo de te apertar com força e que tu te dissipasses como uma bola de sabão. «- É bom ter-te aqui.»  Foi a única coisa que sussurrei enquanto senti o meu rosto tocar no teu. Senti o teu corpo tremer. Nunca percebi se tremias de frio, porque lá fora a neve baptizava os incautos que passeavam na rua, e tu vestias apenas a minha camisa branca, se tremias de emoção por me sentir ali tão perto.  Não sei quanto tempo durou aquele abraço, mas senti que podia continuar assim o resto da noite… o resto da vida… e enquanto o abraço durasse, sabia que não ias voltar a partir.
Desprendeste-te do meu abraço e levaste-me para a cozinha. À minha espera estava uma mesa requintadamente preparada. Não esqueceste a elegância da toalha, a magia das velas, o meu vinho e o meu prato favoritos. Durante o jantar falaste de trivialidades e eu olhava-te sorridente e conversadora, com a minha camisa branca, e senti que não te podia voltar a perder, e que o teu lugar era ali. 
Fui preparar o café. Continuei a observar-te e percebi que apesar do teu corpo estar ali tão perto, o teu espírito tinha-se ausentado. Vi o teu olhar perdido na janela, observando a Vida a fluir lá fora. Num flashback recuperei a memória dos dias em que te perdias na paisagem da minha janela.
«- É bom voltar a estar aqui.»  Disseste, parecendo regressar. Por um momento senti a tua voz embargada e pensei que estivesses a chorar. Olhei-te novamente. Lá estavas tu, debruçada sobre a janela, com a minha camisa branca… e à contra luz voltei a ver os contornos do teu corpo…a tua lingerie preta… a renda das tuas ligas…Como uma trovoada inesperada de Agosto, aproximei-me de ti e tomei-te de assalto. Não pedi licença, não me fiz anunciar, tomei o teu corpo, no meu corpo, porque é meu, porque me pertence, porque ardia em desejo, porque quis fazer amor contigo desde que te vi ao entrar. E tu, entregaste-te como sempre fizeste, sem perguntar como nem porquê, deixaste-te ir como um rio que corre para o mar, como a folha que se deixa guiar pelo vento. E enquanto a neve gemia ao tocar nos vidros lá fora, tu gemias de prazer nos meus braços.
Fizemos amor ali, na mesa da minha cozinha, com a minha camisa branca a testemunhar aquela união dos nossos corpos. Levei-te para o quarto, para aquela cama tão fria desde que foste embora. Fizemos amor o resto da noite, como se quiséssemos recuperar todo o tempo perdido, como se tivéssemos medo que o tempo ainda nos voltasse a separar.
Adormeci exausto. Adormeci feliz. Estavas ali outra vez, em minha casa, no meu quarto, na minha cama, protegida pelos meus lençóis.
De manhã acordei… sozinho… uma brainstorming assolou os meus pensamentos. Teria sonhado contigo? Terias realmente estado ali? Teria feito amor contigo? Sinto tanto a tua falta que já não distingo os sonhos daquilo que é a realidade… mas parecia tão real…  Fechei os olhos na esperança de voltar a sonhar contigo, aninhei-me no teu corpo imaginário, deslizei as minhas mãos pelo espaço que naquela cama te pertencia e senti, debaixo da almofada algo que me era familiar… Esbocei um sorriso. Levaste novamente o teu ser, o teu corpo, a tua alma, mas deixaste o teu perfume… na minha camisa branca.                                                  

                                                                                                                                                                                       

Amor... Não Sobrevive Numa Cabana!

por aspalavrasnuncatedirei, em 23.06.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

Amar é um verbo. Demonstramos o nosso amor através de acções. E uma pessoa só se sente amada quando a outra lhe manifesta o seu amor com beijos, abraços, carícias e demonstrações de generosidade. Uma pessoa que ama procurará sempre o bem-estar físico e emocional da pessoa amada. E se é bem verdade que não só de pão vive o homem, também não pode sobreviver só de amor. Talvez por isso seja tão triste um apaixonado pobre. Por mais satisfatória que seja uma relação a nível emocional e sexual, a falta de dinheiro pode afectar e minar, pouco a pouco, até a maior paixão.
Tão Veloz Como o Desejo, Laura Esquivel

 

Mentira

por aspalavrasnuncatedirei, em 22.06.07

Imagem Retirada da Internet

 

Hoje deitei-me na minha cama de rede e, enquanto o meu corpo baloiçava preguiçosamente, para um lado e para o outro, fiz uma constatação extraordinária. Percebi, finalmente, que não gosto de ti. Quer dizer, gostar gosto, como gosto de todas as coisas especiais e importantes que existiram e existem na minha vida, mas percebi que não te amo. Finalmente entendi que a pessoa que amo tem a tua cara, o teu aroma, os teus olhos, o teu sorriso, mas é uma ficção da minha cabeça. Uma imagem virtual que idealizei. Apaixonei-me por ti porque te preocupas comigo, com o meu bem-estar. Mentira, tu pensas primeiro em ti, depois nas coisas que te dizem respeito, no teu trabalho, na tua família, no teu carro, no teu clube de futebol, e depois, com um pouco de sorte, então pensas em mim. Apaixonei-me por um Homem que luta por mim e que faz dos meus sonhos os seus sonhos, das minhas vitórias, as suas vitórias, dos meus fracassos, os seus fracassos. Mentira, esse, não podes ser tu, os únicos sonhos que pretendes realizar são os teus e desconheces que à tua volta, há mais quem os tenha. Amei um Homem que caminhava sempre ao meu lado, de mão dada, ou abraçado a mim. Não és tu! Estás sempre um passo à frente e quando avanço, tu recuas e quando recuo, afastas-te. Apaixonei-me por um homem que abriu a janela da sua vida e me fez entrar, fechando de seguida a porta a sete chaves para nunca me deixar sair. Mentira, não podes ser tu, abriste-me a porta para sair, exactamente com a mesma cordialidade com que me fizeste entrar. Amei-te, porque pensei que também me amavas… Mentira…

7 Maravilhas da Blogosfera

por aspalavrasnuncatedirei, em 21.06.07

 

 

 
A cada dia que passa me surpreendo mais com este Universo da Blogosfera. Hoje recebi uma nova nomeação, desta vez para as 7 Maravilhas da Blogosfera.
Fui nomeada pelo http://osentidodascoisas.blogspot.com/. Deixo-vos aqui o Regulamento e as minhas nomeações. Peço desculpa a todos aqueles que vou deixar de fora, mas só podia escolher 7.
http://clauclau.blogs.sapo.pt/
http://as_manas_ss.blogs.sapo.pt/
http://fadadalua.blogs.sapo.pt/
http://deposito_da_alma.blogs.sapo.pt/
http://desabafando.blogs.sapo.pt/
http://nasasasdodesejo.blogspot.com/
http://nasasasdodesejo.blogspot.com/
 
Regulamento
 
 
1. Podem participar na votação todos os bloggers que mantenham blogues activos há mais de um mês. 
2. Cada blogger deverá referenciar sete nomes de blogs. A cada menção corresponde um 1 voto.
 
3. Cada blogger só poderá votar uma vez, e deverá publicar as suas menções no seu blog [da forma que melhor lhe aprouver], enviando-as posteriormente para o seguinte e-mail: 7.maravilhas.blogoesfera@gmail.com. No e-mail, para além da escolha, deverão indicar o link para o post onde efectuaram as nomeações. A data limite para a publicação e envio das votações é dia: 01/07/2007.
 
4. De forma a reduzir alguns constrangimentos [e desplantes], e evitar algumas cortesias desnecessárias, também são considerados votos nulos:
 
- Os votos dos blogger(s) em si próprio(s) ou no(s) blogue(s) em que participa(m);
 
No dia 7.7.2007 serão anunciados os vencedores e disponibilizadas todas as votações.
 
Apelo à divulgação desta iniciativa junto a todos os bloggers interessados em reconhecer publicamente o esforço, a dedicação e o talento para a arte de blogar de alguns dos seus congéneres.
 
 
Obrigada.

Na Cauda do Teu Piano

por aspalavrasnuncatedirei, em 20.06.07

 

Imagem: Michelle Pheifer, Fabulosos Irmãos Baker

  

 

Meti a chave à porta e ao meu encontro vieram as notas musicais do teu piano de longa cauda negra. Mesmo antes de ver a expressão do teu rosto, percebo que não estás bem. Só tocas piano quando os teus dias são amargos, só quando a pressão é tão forte que te faz explodir. Nesses momentos, os teus dedos, como varinhas mágicas, transferem para as teclas, todas as emoções que habitam em ti. Invejo-as, porque lhes tocas, são aquelas teclas frias que recebem o calor da ponta dos teus dedos. São elas que são acariciadas e gemem por ti. Queria que me entregasses o teu medo, a tua raiva, a tua frustração, que fizesses de mim a tua alma conselheira. Mas não, é sempre o piano. Amor… eu sou mulher, sou a tua companheira, aquela que te ama e estará sempre aqui... e "sei-te de cor"… Hoje decidi ganhar esta guerra fria e vou entrar nessa partitura. Vou entrar no teu mundo de angústias e roubar ao piano o toque que é meu. Tomo um banho perfumado, passo aquele creme que guardo para os momentos especiais em todas as células do meu corpo. Visto o vestido vermelho de cetim que me escorrega lindamente no corpo. Aquele cujo decote faz adivinhar os contornos do meu peito, o redondo da minha anca, a rigidez das minhas coxas. Calço uns sapatos pretos agulha. Ponho Rímel preto nos olhos e um Batom vermelho. Não esqueço o perfume... aquele que te embriaga e que deixa zonzo como se eu fosse um forte licor. Apago as luzes. Acendo uma vela. Queimo um incenso. Começo a cantar Making Whoopee. Sei que adoras a Michelle Pheifer, que é a mulher dos teus sonhos, aquela das tuas fantasias… mas eu... eu sou real… e estou aqui. Subo para o piano, o vestido sobe insinuando-te debaixo dele,  o meu corpo nu. Sento-me perto, cruzo as pernas, e da minha boca continuam a sair doces acordes. Levemente, deixo-me cair para trás, deposito o meu corpo na cauda do teu piano. O meu cabelo espalha-se pelas teclas. A música pára. Huuummm, e agora???

 

  

Cascata Mágica

por aspalavrasnuncatedirei, em 18.06.07

 

Imagem Retirada da Internet

 

«- Vou levar-te a um lugar mágico.» Disseste com aquele teu sorriso que me desarma e com a certeza de quem conhece todos os cantos do mundo. Não duvidei, como poderia duvidar? Apenas confiei e deixei-me guiar. Cada momento contigo, cada lugar, ganhava um brilho especial, apenas e só, porque estávamos juntos. Atravessámos um bosque, que parecia encantado, acompanhados pelo chilrear dos pássaros, pela brisa quente de um final de tarde, e pelo murmurar longínquo de uma queda de água. Parámos, aqui e ali, apenas para nos reabastecermos de beijos, carícias, olhares cúmplices e para trocar juras de amor. O fresco borbulhar do regato, que se adivinhava mais do que se via, era interrompido, a espaços, por raios de sol quentes que se colavam à nossa pele justificando a tua promessa. A magia acompanhava-nos desde o instante em que me deste a mão e disseste: “-Vem, é por aqui.”  No fim desse caminho secreto, onde percorreste, não só a minha alma, como também os meus lábios, de uma forma que só tu sabes fazer, colocaste-te à minha frente, agarraste-me o rosto com as mãos, e murmuraste com voz doce, aumentando ainda mais a minha curiosidade: “- Fecha os olhos!”  De olhos fechados, de mãos dadas contigo, percorri os últimos 5 metros e deliciei-me com o som da água a cair. “- Podes abrir!”  disseste.  De repente, as árvores que nos escondiam, abriram os braços, e à minha frente, majestosa e deslumbrante, surgiu uma imponente cascata. Mágica de facto, e nesse instante tantas emoções transbordaram em mim: alegria, deslumbramento, um medo terrível de te perder, a tristeza de um dia ter de partir…. O tempo parou, a vida ficou suspensa, só existíamos nós dois, o pôr-do-sol alaranjado, e aquela cascata. Ao chegar à praia deserta, tirei o meu vestido como se estivesse na intimidade de um quarto, que o mundo reservou para nós dois, feito de areia e mar, de brisa e sol, de magia e realidade. Suavemente, deixei que o vestido descobrisse os contornos do meu corpo, que te tinha prometido ao longo do caminho, deixei que sentisses que a minha pele estava sedenta dos teus lábios e do toque das tuas mãos. Olhaste-me intensamente e, no brilho dos teus olhos, li o quanto me desejavas. Avançaste lentamente, sem nunca desviar o olhar, e eu, a sorrir, recuei passo a passo, para despertar ainda mais o prazer dos teus sentidos… ou seria dos meus? Deixei que a cascata acalmasse o calor da minha pele… “- Vem…” balbuciei, sabendo que eu era o teu território, ávido por ser explorado, e nós dois juntos, formávamos a magia daquele lugar. “-Vem…”. Insisti. Riste-te, com um sorriso iluminado e ganhaste tempo. Então, maliciosamente, sem nunca desviar os meus olhos dos teus, tirei o meu bikini como quem coloca o ponto final numa doce discussão... Quando te aproximastes, sabia que te queria, sabia que me querias. Deixei de ver a silhueta do teu corpo e, na água apenas vi reflectida a Lua que acabara de chegar. Não te vi, mas senti-te. Os teus lábios quentes percorreram as minhas pernas, a minha barriga, o meu peito, vieram à tona e submergiram novamente, mas desta vez, na minha boca, ao mesmo tempo que um arrepio percorria rapidamente todo o meu corpo e me deixava abandonada em ti. O beijo que me deste, envolvente, com uma mistura de açúcar e sal, levou-me ao céu, mostrou-me as estrelas, e depositou-me devagar os entalhes feitos à medida do teu corpo. Naquele instante, fomos um só, haverá melhor magia que esta? Fizemos amor devagar “- Donos do tempo!” - recordo-me que disseste, olhos nos olhos, numa comunhão perfeita de “ser”, “estar” e “querer”, testemunhados pela cascata, iluminados pelo luar, alimentados por um amor que há tanto tempo se fazia esperar e que agora, finalmente, se cumpria.
.
 

Voar Para Longe

por aspalavrasnuncatedirei, em 17.06.07

 

Deixo-me guiar pelas estrelas da noite, e piso timidamente as pedras do meu caminho, cada uma mais escarpada que a outra, mais difícil de ultrapassar. Escondo-me no escuro. Não suporto a luz, não aguento o brilho do sol, apenas a escuridão desta madrugada se coaduna com o meu estado de espírito. Vejo o meu rosto reflectido na água do lago, iluminado pela Lua e penso «-Quando começarei a viver outra vez? Quando irei novamente recuperar as rédeas da minha vida?» Deixei de viver na realidade e vivo uma vida de sonhos, sempre apavorada que um dia o sonho acabe e que o pesadelo da minha amargurada existência se torne também real. Um dia vou ganhar coragem e deixarei de ser esta larva insignificante, ganharei asas e transformar-me-ei numa esvoaçante borboleta. Nesse dia voarei para longe daqui e deixarei tudo isto para trás das costas. Um dia deixar-me-ei guiar pela tua luz e estarei de volta ao meu verdadeiro caminho. O que mais pode fazer o teu amor por mim, a não ser fazer-me acreditar que esse dia é possível, que esse momento vai chegar?

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