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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Amores Impossíveis

por aspalavrasnuncatedirei, em 01.02.07

 

                                                                                                            Imagem Retirada da Internet

 

 

 

Todas as mulheres têm ou já tiveram, um amor impossível, é uma herança adquirida pelo nosso património sentimental. 

Quem é que não se recorda daquela primeira paixão pelo menino do bibe vermelho, caracóis de anjo que era nosso colega de brincadeiras no infantário? E do colega de carteira do 4ºano que não percebia nada de Português, e nós, já muito solícitas, fazíamos tudo para o ajudar? E aquele amigo do irmão, que ia lá a casa, aquele, com a cara cheia de borbulhas, qual habitação em obras, mas que por alguma razão inexplicável nós achávamos lindo de morrer.

 Quem é que não teve uma inclinação platónica pelo professor de Matemática do 9º ano? Quem é que não sonhou com aquele colega da faculdade, que nunca nos ligou o suficiente para nos sentirmos uma possibilidade na vida dele, mas que era o amigo mais próximo, o que desabafava connosco as suas conquistas e derrotas amorosas, que elogiava, mesmo na nossa cara, os predicados e predicativos de todas as outras que nós gostaríamos de ser? E nós, parvas, com sorriso palerma, ali ficávamos a ouvi-lo, porque afinal ele concedeu-nos o nobre cargo de «Melhor Amiga». 

São assim chapadinhos os amores impossíveis. Mas se é impossível viver sem eles, é decididamente impossível vivê-los. Porque ao serem concretizados, perdem todo o encanto.

 Recordemos o nosso amor impossível do 12º ano, muito giro, de olhos verdes e corpo de deus grego que um dia nos perguntou à entrada da escola «-Ó chavala, tens horas? E nos deixou perdidas no tempo, sem saber o que responder, durante semanas.

 Imaginemos agora que o encontramos 20 anos depois. Os nossos olhares cruzam-se, insinuam que já se viram e “galantemente” ele pergunta «Ó chavala, nós não nos conhecemos de algum lado? É ele, sem dúvida que é ele...o tal! Trocam-se sorrisos e desabafos e quando damos por nós descobrimos que os seus olhos têm um tom baço, o corpo de Apolo foi substituído por uma barriguinha proeminente, que a farta cabeleira deu lugar a uma careca lustrosa. Ficamos a saber ainda, que tem três filhos, mulher, um casamento em ruínas, uma amante bombástica, um emprego medíocre e toda uma vida de sonhos por construir.

 Melhor seria ter ficado com a imagem dos tempos de liceu porque afinal a desilusão é triste, tem um sabor amargo.

 
 

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