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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Amor em Banho Maria

por aspalavrasnuncatedirei, em 01.02.07

 

 

panela.bmp

                                   Imagem: Anne Gueddes

 

  

 

Há certas relações que não são nem deixam de ser, que não se amam nem deixam de se amar; que se desejam e nunca se chegam a ter. São uma espécie de amores em banho-maria, plenos de encantos e como diria Margarida R. Pinto, fazem lembrar uma lata de leite condensado que se coze durante horas três lânguidas horas, em banho-maria. Estes namoros vão de vez em quando, ao lume, brando muito brando, com medo de aquecer, apenas para ficar em ponto de rebuçado. Desta forma, acendem-se e apagam-se as emoções que se controlam no bico do fogão dos nossos desejos, onde a cozedura a 200º tórridos graus pode tão depressa queimar-nos como passar novamente a lume brando. Pode até mesmo ficar de molho durante semanas, meses, anos sem que nunca se altere o seu sabor supremo. Estes namoros estão na prateleira dos nossos sonhos, daquilo que ainda não fizemos e conjugam-se sempre na forma verbal condicional, cheios de reservas e orações condicionais traduzidas, linguisticamente, através dos «Ses». O truque para estas relações está na sabedoria de regular com mestria a temperatura para nunca deixar que se queime, mas também para que nunca se coma cru. E não nos podemos esquecer que o segredo está no tempero: um bocadinho de pimenta aqui, um bocadinho de sal ali... Mas estes namoros, em banho-maria, são amores egoístas, estéreis, deveria estar legislada a sua proibição. deveriam ser impossíveis de acontecer. É como se Amália nunca tivesse cantado o seu fado ; como se Velásquez não tivesse pintado as suas «Meninas»; como se Camões nunca tivesse partilhado o seu espólio literário, ou como se Mozart nunca tivesse editado o seu Requiem.

(Texto Inspirado numa das crónicas de Margarida Rebelo Pinto)

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