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aspalavrasnuncatedirei

Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

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Há palavras que nunca chegam ao destino...fazem uma longa e amarga travessia pela solidão dos sentidos e morrem na escrita destas crónicas.

Doces Pecados

por aspalavrasnuncatedirei, em 08.03.11

 

 

 

Fui ao dicionário pesquisar o significado da palavra “Pecado”, a propósito de um trabalho que estava a fazer. Esta palavra que atormenta tanto as vidas humanas precisa ser conhecida pela raiz, para que assim nos possamos libertar dela.

A primeira informação que me surgiu foi «Transgressão de preceito religioso.» Apesar de me considerar católica, a minha fé faz-se numa religião onde não cabem muitos dos tais preceitos religiosos. Na minha vida, Deus não é castigador, mas sim um amigo sempre disponível; no meu dia-a-dia, a morte não é o fim, mas sim o princípio, por isso, pensei que talvez a minha forma de vivenciar a religião seja efetivamente (aos olhos de algumas pessoas) um pecado, mas aos meus, decididamente não o é.

O segundo sinónimo dizia «Vício»… ai, ai, ai… mais um pecado. Sou viciada em chocolate (dificilmente lhe consigo resistir), sou viciada em trabalho, raramente prescindo, ou posso prescindir dele, e sou, sem qualquer pena, viciada nos Pantufinhas, no cheiro a bebé que ainda mantém, nos seus sorrisos marotos e doces, nos seus abraços onde cabe todo o meu mundo.

A definição que vinha de seguida, também não era das melhores «Culpa, falta». Bem, parece-me que aqui também tenho culpas no cartório dos linguistas que escrevem dicionários. Sou culpada de não dormir oito horas por dia e, na melhor das hipóteses, dormir apenas metade; sou culpada de não alimentar o meu corpo como devia, de não o massajar como ele merecia, de não o hidratar como ele precisa, mas ando sempre fora de horas. Estou ainda em falta com a minha família porque não lhes dedico o tempo que eles tanto merecem e sou culpada de não telefonar aos meus amigos quando me lembro deles e o tempo vai passando e não digo às pessoas de quem gosto, que elas são realmente importantes na minha vida.

A quarta definição dizia «Infrm. Demónio.» sim, sou um demónio de saias que atormento a paciência dos meus alunos por não quererem estudar, sou um demónio de tridente em riste que obrigo os meus filhotes a tomar banho sempre que argumentam que não é preciso todos os dias, ou que não gostam da sopa.

De seguida surgiu a informação «Relig. pecado atual: o que é feito pelo indivíduo (em oposição a original)». Pecados atuais?! Ora deixem-me cá pensar… nunca matei (as moscas contam?), nunca roubei (os sabonetes dos hotéis podem ser trazidos para casa, certo? Nunca cobicei a mulher do próximo, nem o homem (apenas o George Clooney, mas esse ainda não é casado).

Segundo o dicionário que consultei há ainda o «pecado de carne: pecado sensual» Pois bem, a minha carne não peca, apenas ama, e quanto à sensualidade, se nós, as mulheres fantásticas, não formos sensuais… somos homens, certo? Certo!

Quase a chegar ao fim surgiu o sinónimo «Relig. pecado mortal: o que leva ao Inferno se não é confessado.» Pois bem, se essa confissão implica ir à igreja pedir perdão a um Padre, rezar 10 orações e sair absolvida, bem, aí parece-me que vou mesmo parar ao caldeirão infernal, mas se aceitarem como confissão o facto de ao chegar à minha cama, agradecer ao meu Deus, o dia fantástico com que me presenteou, o meu pedido de desculpas por todas as coisas que eu podia fazer melhor, mas que não consegui fazer, aí meu caro S. Pedro, abre as tuas portas douradas para mim.

Seguiu-se o «Relig. pecado original: o herdado de Adão.» Confesso a minha culpa, sou mesmo filha de Adão, não consigo resistir a uma maçã. E o pior é que não sou esquisita, partilho de coração o provérbio que os Ingleses defendem «An apple a day, keeps the doctor away». Eu gosto das verdes, daquelas muito amargas, gosto das Golden, das Gala, das Granny Smith, das Reineta, das Star, enfim, podia continuar aqui o resto do dia a descrever maçãs.

Por último surgiu a referência a «pecados velhos: pecados cometidos há muito tempo.» Sou uma mulher que vive no presente e não no passado ou no futuro, se cometi pecados “há muito tempo” já nem me lembro deles, do passado prefiro guardar apenas as coisas boas que me fizeram e tenho fé que também já fiz bem a muitas pessoas também.

Não seríamos todos muito mais felizes se abolíssemos dos dicionários, ou melhor, das nossas vidas, a palavra “Pecado”. Não somos perfeitos mas acredito que a essência da nossa alma seja realmente boa, daí que não haja nada de pecaminoso naquilo que fazemos, sentimos, ou pensamos.

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