Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Alguém que eu Conheci

Imagem retirada da Internet

 

Ia no carro perdida nos meus pensamentos quando a letra da música dos Gotye me chamou a atenção. Intitulada Somebody I use To Know descreve de forma envolvente a forma como as pessoas, que já foram muito próximas, um dia se tornam perfeitas estranhas. Não é irónico? Conhecemo-nos, atraimo-nos, apaixonamo-nos perdidamente... Partilhamos as nossas insignificâncias e tudo aquilo que é relevante, abrimos as portas da nossa casa, oferecemos a nossa mesa, a nossa cama, o nosso corpo, a nossa alma, e um dia essa pessoa eclipsa-se da nossa vida e passa a não ser mais do que um ilustre desconhecido... Conhecemos-lhe cada ruga desenhada no rosto, cada sinal pintado no corpo. Reconhecemos cada expressão de alegria, adivinhamos-lhe a tristeza, conhecemos de cor os seus gostos, os seus desgostos e sem que nos apercebamos,  há um momento em que mal nos olhamos, mal nos cumprimentamos, mal nos vemos... Sabemos de cor a música que gosta de ouvir, o vinho que escolhe, a comida que prefere, os caminhos que percorre todos os dias e, os anos passam e perdemos o trilho dos seus passos.

 

 



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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
Dia da Mãe, Homenagem às Mulheres Fantásticas

 

No próximo dia 06 de Maio de 2012 comemora-se o dia da mãe. Se não sabe o que oferecer à sua, experimente presenteá-la com o livro Mulher Fantástica, garanto-lhe que a sua mãe vai adorar. Posso enviar-lhe um exemplar pelo correio, autografado e com uma dedicatória especial. Faça a sua encomenda através do email sandra_sofiabarbosa@sapo.pt



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Segunda-feira, 12 de Março de 2012
Florbela Espanca no Cinema
Florbela Espanca, uma das minhas escritoras portuguesas favoritas. Vale a pena lê-la e conhecê-la.


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Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Favores em Cadeia em 2012

No último dia do ano de 2011 vi um filme fantástico de Mimi Leder. A história desenrola-se em torno de Eugene Simonet (o fabuloso Kevin Spacey), que é um professor de estudos sociais. No início de um novo ano letivo, numa turma do 7º ano de escolaridade, e como era seu hábito em todos os outros anos, pede aos alunos para realizarem um trabalho acerca do que fariam para mudar o mundo. Na turma está um aluno com imensos problemas pessoais, Trevor McKinney (o doce Haley Osment). Trata-se de uma criança sensível, de 11 anos, que tenta ajudar a mãe, Arlene Mckinney (Helen Hunt), uma alcoólatra. Esta, apesar de se esforçar paradar uma vida melhor ao filho (desdobrando-se entre dois empregos), não percebe que o que realmente faz falta ao filho é a sua companhia. Quando confrontado com a sugestão do professor, Trevor decide desenvolver um projeto que consiste em ajudar três pessoas e pedir que não lhe retribuam a ele, mas sim que ajudem outras três pessoas e assim por diante. No fundo, o que ele procura é formar uma corrente de favores em cadeia. Ao longo do filme esta criança é confrontada com as injustiças do Mundo e com as dificuldades inerentes em tentar transformá-lo num sítio melhor, mas o que me comoveu, e fez as minhas lágrimas deslizarem pela minha face várias vezes, foi a determinação do Trevor em fazer a diferença e nunca desistir. Não pude deixar de pensar, agora que estamos no primeiro dia do ano de 2012 como seria se cada um de nós acreditasse no poder das boas ações, do amor pelo próximo e tentássemos também aplicar este projeto: fazer bem/ajudar três pessoas que por sua vez iriam fazer bem a outras três e assim consecutivamente… Será que podemos tornar este País/Mundo um lugar melhor? Podemos deixar um legado de amor, de solidariedade aos nossos filhos, de certeza que é bem mais positivo e profícuo do que andar a apontar o dedo aos políticos, a lamentarmo-nos das desgraças, das tristezas, das desilusões. Deixemo-nos de futurologia, de falar mal e de amaldiçoar um Ano Novo que acabou de nascer, concentremo-nos nas coisas positivas e façamos do ano de 2012 o ano da diferença, o ano em que o amor vence o ódio, em que o espiritual derruba o material, o ano em que seremos agradecidos e felizes.

 



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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
Ofereça a uma mulher fantástica, a Mulher Fantástica

 

 

 

 

 

 Caminhamos a passos rápidos para o Natal e de certeza que a sua vida está repleta de Mulheres Fantásticas (mãe, esposa, namorada, amiga) a quem pode presentear com o livro que é uma homenagem a todas elas.

 

Contacte-me através do endereço de e-mail sandra_sofiabarbosa@sapo.pt e peça informações para receber o livro autografado.



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Domingo, 11 de Setembro de 2011
Largar a Corda


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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
Se Eu Pudesse

 

Se eu pudesse enchia-te de mimo, abraçava-te com os meus braços longos, doces, fortes e repousava-te no meu colo. Embalava o teu corpo frágil no meu peito e sussurrava ao teu ouvido que tudo tem uma razão de ser (mesmo que tu não a entendas). Queria adormecer-te o medo, ao som das histórias de amor que escrevemos juntos, cheias de capítulos com finais felizes, para que soubesses que nunca te vou desiludir, nunca te vou dececionar. Se eu pudesse garantir-te-ia que, comigo por perto, não há doença que te espreite, ladrão que te sonde, ou tempestade que se abata sobre quem és. Sabes, tenho vontade de dizer-te que o papel de embrulho que utilizas para disfarçar quem és, está gasto, rasgado, sem cor, e eu quero libertar-te desse invólucro para que possa emergir a verdadeira luz da tua alma. Queria confessar-te que há entre nós um sentimento que o tempo, ou o Homem, não apagam, vive dentro do nosso coração, alimenta-se daquilo que vivemos, dos sorrisos que trocámos, das lágrimas que partilhámos, de toda a felicidade que sentimos. Recorda-te de mim… não do que fui, ou do que sou… mas recorda-te da imagem que eu refletia nos teus olhos. Se eu pudesse fugia contigo para uma ilha distante, recomeçava do zero, libertava-nos da identidade, dos rótulos, dos compromissos, das obrigações e das promessas,  vivia de mar, de areia, de sal e de amor: do meu por ti, do teu por mim e seríamos utopicamente felizes.



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Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
Uma música soberba, um poema magnífico



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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
Músicas que Arrepiam: Non Nobis Domine


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Domingo, 17 de Abril de 2011
José e Pilar

Nunca fui fã de Saramago. Nunca me senti motivada para ler nenhum dos seus livros porque nunca simpatizei com a sua pessoa. Só quando a obra Memorial do Convento passou a ser leitura obrigatória para os alunos do 12º ano é que li o livro porque efetivamente não podia adiar mais. Devo confessar que gostei da história, do fino humor, mas mesmo assim, não gostei o suficiente para ler outros livros. Uma amiga minha diz que só a partir dos 40 anos se entende Saramago e se tem maturidade para gostar do autor... como ainda me faltam 3 anos, dou-lhe o benefício da dúvida. Esta semana vi o documentário José e Pilar e gostei bastante de conhecer o lado mais humano, mais íntimo do escritor. Confirmei aquilo que há muito tempo sabia: o seu grande amor por Pilar, assim como confirmei uma vez mais que «Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher». Vale a pena ver. Vale a pena conhecer a banda sonora (Noiserv) é absolutamente fantástica.

 

 



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Terça-feira, 8 de Março de 2011
Doces Pecados

 

 

 

Fui ao dicionário pesquisar o significado da palavra “Pecado”, a propósito de um trabalho que estava a fazer. Esta palavra que atormenta tanto as vidas humanas precisa ser conhecida pela raiz, para que assim nos possamos libertar dela.

A primeira informação que me surgiu foi «Transgressão de preceito religioso.» Apesar de me considerar católica, a minha fé faz-se numa religião onde não cabem muitos dos tais preceitos religiosos. Na minha vida, Deus não é castigador, mas sim um amigo sempre disponível; no meu dia-a-dia, a morte não é o fim, mas sim o princípio, por isso, pensei que talvez a minha forma de vivenciar a religião seja efetivamente (aos olhos de algumas pessoas) um pecado, mas aos meus, decididamente não o é.

O segundo sinónimo dizia «Vício»… ai, ai, ai… mais um pecado. Sou viciada em chocolate (dificilmente lhe consigo resistir), sou viciada em trabalho, raramente prescindo, ou posso prescindir dele, e sou, sem qualquer pena, viciada nos Pantufinhas, no cheiro a bebé que ainda mantém, nos seus sorrisos marotos e doces, nos seus abraços onde cabe todo o meu mundo.

A definição que vinha de seguida, também não era das melhores «Culpa, falta». Bem, parece-me que aqui também tenho culpas no cartório dos linguistas que escrevem dicionários. Sou culpada de não dormir oito horas por dia e, na melhor das hipóteses, dormir apenas metade; sou culpada de não alimentar o meu corpo como devia, de não o massajar como ele merecia, de não o hidratar como ele precisa, mas ando sempre fora de horas. Estou ainda em falta com a minha família porque não lhes dedico o tempo que eles tanto merecem e sou culpada de não telefonar aos meus amigos quando me lembro deles e o tempo vai passando e não digo às pessoas de quem gosto, que elas são realmente importantes na minha vida.

A quarta definição dizia «Infrm. Demónio.» sim, sou um demónio de saias que atormento a paciência dos meus alunos por não quererem estudar, sou um demónio de tridente em riste que obrigo os meus filhotes a tomar banho sempre que argumentam que não é preciso todos os dias, ou que não gostam da sopa.

De seguida surgiu a informação «Relig. pecado atual: o que é feito pelo indivíduo (em oposição a original)». Pecados atuais?! Ora deixem-me cá pensar… nunca matei (as moscas contam?), nunca roubei (os sabonetes dos hotéis podem ser trazidos para casa, certo? Nunca cobicei a mulher do próximo, nem o homem (apenas o George Clooney, mas esse ainda não é casado).

Segundo o dicionário que consultei há ainda o «pecado de carne: pecado sensual» Pois bem, a minha carne não peca, apenas ama, e quanto à sensualidade, se nós, as mulheres fantásticas, não formos sensuais… somos homens, certo? Certo!

Quase a chegar ao fim surgiu o sinónimo «Relig. pecado mortal: o que leva ao Inferno se não é confessado.» Pois bem, se essa confissão implica ir à igreja pedir perdão a um Padre, rezar 10 orações e sair absolvida, bem, aí parece-me que vou mesmo parar ao caldeirão infernal, mas se aceitarem como confissão o facto de ao chegar à minha cama, agradecer ao meu Deus, o dia fantástico com que me presenteou, o meu pedido de desculpas por todas as coisas que eu podia fazer melhor, mas que não consegui fazer, aí meu caro S. Pedro, abre as tuas portas douradas para mim.

Seguiu-se o «Relig. pecado original: o herdado de Adão.» Confesso a minha culpa, sou mesmo filha de Adão, não consigo resistir a uma maçã. E o pior é que não sou esquisita, partilho de coração o provérbio que os Ingleses defendem «An apple a day, keeps the doctor away». Eu gosto das verdes, daquelas muito amargas, gosto das Golden, das Gala, das Granny Smith, das Reineta, das Star, enfim, podia continuar aqui o resto do dia a descrever maçãs.

Por último surgiu a referência a «pecados velhos: pecados cometidos há muito tempo.» Sou uma mulher que vive no presente e não no passado ou no futuro, se cometi pecados “há muito tempo” já nem me lembro deles, do passado prefiro guardar apenas as coisas boas que me fizeram e tenho fé que também já fiz bem a muitas pessoas também.

Não seríamos todos muito mais felizes se abolíssemos dos dicionários, ou melhor, das nossas vidas, a palavra “Pecado”. Não somos perfeitos mas acredito que a essência da nossa alma seja realmente boa, daí que não haja nada de pecaminoso naquilo que fazemos, sentimos, ou pensamos.



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Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
Ana Carolina

Recentemente descobri a voz fantástica de uma cantora brasileira e deixo-vos aqui uma música aboslolutamente tocante, com uma melodia envolvente, uma letra magnífica. Infelizmente não consigo postá-la porque está protegida pelos direitos autorais, mas convido-vos a ouvir.

 

http://www.youtube.com/watch?v=HqDKX2JFMm8

 

Entretanto, para aperitivo, deixo uma outra música da mesma cantora, que é uma versão magnífica de Damien Rice The Blower's Daugther.

 

 



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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
Querido 2010

 

 

 Acordei e olhei-te nos olhos… ar cansado de quem não dormiu, de quem passou as últimas horas a empacotar toda a sua existência para não deixar marcas da sua presença ao ano vindouro. Lá estavas tu, o ano de 2010, com barbas brancas, rugas a acusar a idade e uma bengala para te ajudar a partir. À minha volta caixas e caixas de momentos que marcaram os meus últimos 365 dias. Levantei-me devagar e preparei-me para espreitar pela última vez aquelas páginas da minha história. Os meus olhos poisaram no maior caixote de todos, aquele que mais prezo, o mais bonito e especial feito de algodão doce e onde se lê a letras douradas, que um anjo desenhou com uma tinta que só existe no céu «Pantufinhas». Abri-o lentamente, como quem teme descobrir o que irá saltar lá de dentro. Num caixote como este nunca se sabe, pode ser uma bola que me acerte no olho, um skate que me atinja um dente, uma PSP que ganhe vida e me faça um galo na testa… Mas não… o que saltou foram dois magníficos sorrisos, daqueles que vêm acompanhados de beijos docinhos, de abraços cheios de mimo e de um terno «-Adoro-te mamã.» Este ano foi um marco na vida dos Pantufinhas – um entrou para o 1º ciclo, outro para o 2º, e com esta mudança subiram novos degraus na sua autonomia, fizeram novas amizades, aprenderam a aprender e conheceram um mundo novo cheio de desafios, perigos e alegrias que os vão fazer crescer. Neste caixote estão as sextas-feiras de mimo, onde enrolados numa manta vimos pela milésima vez aquele DVD sempre tão especial, comemos gelado de baunilha e deixamos que o lume da lareira também aqueça os nossos corações. Estão as noites de escapadela para a minha cama: porque é mais quente, porque cheira ao meu perfume… porque eu estou lá. Por todo o caixote ecoam as brincadeiras, as queixinhas e as diabruras. No fundo do caixote estão os ralhetes, as chamadas de atenção, os momentos em que temos de dizer «-Não»… concertei esses momentos, para que ficassem lá no fundo, escondidos, e à superfície ficassem apenas as coisas boas. Ao lado, um outro caixote, o azul, onde se lia «Ohana» (como diria o Pantufinha influenciado pelo Lilo & Stitch). É um caixote estranho, como uma forma diferente dos caixotes das outras famílias, digamos que se fosse uma tela teria sido certamente pintado por Picasso. O caixote da minha família não é tradicional, nunca foi, não tem lá dentro uma árvore genealógica onde aos avós se sucedem os pais, a estes os filhos e depois os netos. A minha árvore nunca cresceu muito em altura, nunca foi um frondoso pinheiro. É uma espécie de arbusto, cresce para o lado, está cheio de ramificações, está repleto de folhas de pessoas emprestadas que não são uma Ohana sanguínea, mas são uma Ohana de coração, e como diz a minha querida Daniela «-Os amigos são a família que nós escolhemos.» Mas está repleto de amor, não há conflitos, nem brigas, há amor, independentemente dos laços que nos unem. Em cima, numa poltrona confortável, está a minha mãe, a melhor pessoa deste mundo, a minha melhor amiga. E por falar em amigos também estava lá o caixote com esse nome. É feito de carvalho, robusto, tem meia dúzia de boas amigas lá dentro, aquelas que me dizem as duras verdades, as que me dão um lenço de papel para enxugar as lágrimas, as que têm sempre quente à minha espera um caneca enorme de chá verde, as que partilham as minhas alegrias e as que são verdadeiramente minhas cúmplices. Fui espreitar outro caixote… aquele onde se lia «Trabalho». Neste 2010 foram muitas as escolas e as instituições onde leccionei. Vejamos: Escolinha de Alvega (que alguém se encarregou de fechar), Vale da Pedra (perdido no meio de nada há uma terrinha com pessoas fantásticas); Rio Maior (onde se formaram grandes cozinheiros); Santarém (o que será feito dos meus «mecatrões», mistura de mecatrónicos com mandriões); Tomar (de onde vai sair uma fornada fantástica de Acompanhantes de Crianças); Constância (uma escola de excelência, com pessoas de excelência) e… o Estabelecimento Prisional de Torres Novas onde também tive o prazer de ensinar. Neste caixote estão tantos alunos e alunas, alguns deles deixaram umas saudades tão grandes que chegam a doer dentro do meu peito. Neste caixote estão também os colegas de trabalho, meu Deus, são tantos, há realmente professores fantásticos no nosso país e eu tive o prazer de trabalhar com eles. De repente olhei para o canto e estava lá um caixote forrado com papel colorido, feito de mar e de areia, de estrada e tráfego aéreo, nele estava escrito com letras folclóricas «Viagens». Neste 2010 tive o prazer de viajar até à Bulgária, conheci pessoas simpaticíssimas, lugares lindíssimos e provei uma gastronomia deliciosa. Conheci Roma… ninguém devia morrer sem visitar Roma, sem atirar uma moeda na Fonte de Trevi, sem se comover diante da Pietá no Vaticano e de se arrepiar no Coliseu. Viajei de norte a sul, fui para fora cá dentro e pude novamente confirmar que vivo num país magnífico. Pequenino, tímido, estava o caixote «Saúde». Abri-o a medo, as memórias são dolorosas. O coração da minha mãe voltou a ameaçar que ia deixar de bater, o cancro do meu pai continua a dar provas que é resistente e descobri que sou doente renal… duro golpe este, não no rim, mas na minha alma, aprendi com este episódio que não tenho a vida nas mãos e que a vida é uma linha muito ténue que nos liga a Deus, e só ele é que sabe quando é que está na hora de nos puxar até ele. Quase a terminar o caixote, que não é caixote, é um cofre, sempre aberto com euros a esvoaçar e que teimam em não aquecer o lugar dentro dele. É um cofre dourado, que tem sempre a quantia certa, nem a mais nem a menos e que tem a quantia exacta das minhas necessidades e das minhas futilidades. A terminar, o caixote «Amor» que neste ano cresceu, amadureceu, tornou-se mais bonito, mais puro. Querido 2010, agora que vais levar contigo todos estes meus caixotes para um sótão chamado tempo, chamado vida, quero agradecer-te tudo o que me proporcionaste, desde as lágrimas aos sorrisos, passando pelas incertezas e pelas convicções. Obrigada por teres sido tão generoso comigo.



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Domingo, 31 de Outubro de 2010
Aniversário

 

Comemorei mais um aniversário. Confesso que nunca gostei muito deste dia (para dizer a verdade, não gosto mesmo nada) desde pequena que sinto que me falta sempre algo importante para que possa desfrutar em pleno esta data. Faltou a presença de pessoas que eram necessárias à minha vida, ao meu crescimento e com o passar dos anos, o número de pessoas ausentes foi cada vez maior. Isto marca o coração e a alma de uma criança para todo o sempre. Em dias como este, a sua ausência torna-se ainda mais pesada, as saudades mais profundas, a necessidade de as ouvir dizer-me «-Parabéns!» e de sentir o seu abraço apertado, torna-se mais dolorosa. O tempo… esse tirano… que passa a uma velocidade veloz, que nos rouba quem amamos que não devolve quem perdemos… Faltou-me que o meu pai se lembrasse que eu tinha nascido a 30 de Outubro, doeu-me que o meu avô tivesse partido naquela manhã fria de Janeiro, assim como me custou na alma que o meu padrinho se tivesse despedido de mim na minha festa de aniversário e ter morrido nessa mesma noite. Ainda hoje me dói a perda da tia Lela que fazia as melhores limonadas do mundo e que tinha sempre um bife com batatas fritas à minha espera quando eu ia a sua casa. Last but not least, lamento ter perdido aquele que na minha vida ocupou o lugar de pai e que também faleceu em Outubro. Mas tenho de aprender a guardar tudo isto numa gaveta secreta, e esconder a chave num esconderijo profundo. Eu sei que apesar de ausentes, eles estão sempre presentes na magia dos momentos que partilhámos e nas recordações que guardo. Vou ter de mudar este paradigma, deixar de lamentar o que perdi e passar a valorizar os que estão ao meu lado. Recentemente a saúde da minha mãe provocou-me um novo susto, temi que também ela não estivesse presente no meu aniversário, mas esteve, e partilhou-o comigo, pude abraça-la, vê-la sorrir e brincar com os Pantufinhas. Quanto a estes, mais uma vez foram os primeiros a felicitar-me e cantaram os parabéns, com vozes roucas de sono e bochechas vermelhinhas do calor da almofada. Ao longo do dia, os mimos sucederam-se: dos familiares, dos de sangue, que nunca me esquecem, dos adquiridos (obrigada avó Mimi e avô Augusto), dos amigos mais próximos, dos amigos mais distantes, daqueles de quem gostamos muito mas que estranhamente acabamos por apenas falar com eles em dias de festa. Com justiça confesso que só tenho razões para estar feliz, no meu trigésimo sétimo (ups…) aniversário, tenho tudo aquilo que é preciso para se ser feliz (e sou!) Tenho saúde: tenho tudo no sítio e a funcionar como um relógio suíço; tenho emprego: que adoro, situa-se perto de casa, é bem remunerado, tem colegas fantásticos e alunos excepcionais; tenho os melhores filhos do mundo: mesmo quando acho que são as maiores pestes; tenho a melhor mãe que alguém pode ter; tenho a Sara: um anjo de caracóis louros e sorriso doce que preenche a minha vontade de ter uma menina; tenho o Hugo que me faz rir quando tenho vontade de chorar, que desdramatiza as minhas preocupações, que me abraça quando preciso de colo, que me faz sentir amada. Obrigada a todos por fazerem com que a minha vida seja um arco-iris onde cada cor brilha com mais luz, obrigada por fazerem deste dia, um dia mais especial.



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Sábado, 11 de Setembro de 2010
Lindo, lindo, lindo!


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Sábado, 4 de Setembro de 2010
Saudades

Abri o mail «Stora tenho tantas saudades suas». O coração ficou apertado e na garganta nasceu um nó. «Eu também Princesa…» Todos os anos, mais do mesmo. Entro na vida deles sem pedir licença, eles entram na minha e desarrumam-na por completo. A cada ano lectivo uma panóplia de conhecimentos, acontecimentos, emoções… Aprendo-lhes os nomes, depois reconheço-lhes as dificuldades, valorizo-lhes as competências e, naturalmente, afeiçoo-me à pessoa que são. A cumplicidade vai nascendo, começo a reconhecer os sinais de que nuvens negras assombram os seus dias, oiço-lhes os problemas, as frustrações, torno-me depositária dos segredos mais secretos. Quando dou por mim, estou irremediavelmente presa a estes Pantufinhas emprestados que, a cada ano que passa, estão mais sedentos de mimo do que de gramática, precisam mais de afecto do que conhecer o sentido figurado dos textos. Tento encontrar um equilíbrio entre a professora que preciso ser e a mãe que muitos deles necessitam. O resultado é sempre o mesmo, envolvo-me mais do que aquilo que queria, e no final do ano vejo aquelas pessoas que já faziam parte da minha vida, serem arrancadas dela. Agora, com o ano lectivo a bater-nos à porta, vejo os meus meninos partirem rumo a outra Professora e sinto-me como a mãe que vem os filhos passar o fim-de-semana com a madrasta, desejo-lhes que se portem bem, que aprendam, que se divirtam… mas as minhas pernas tremem com medo que comecem lentamente a deixar de gostar de mim. O meu medo desvanece… com as novas tecnologias, dificilmente hoje em dia se perde o contacto com as pessoas, por isso, com muita frequência vou mantendo o contacto, vão surgindo os sms, as mensagens no facebook, no Messenger, os telefonemas e, de repente, percebo que o afecto se mantém, que alunos que conheci no ano de estágio, ainda se lembram de mim, que os primeiros alunos a quem já ensinei já se formaram, já casaram, tiveram filhos, alguns também já se divorciaram, e, continuamos a ter contacto e a recordar momentos que o tempo não vai apagar. Neste início do ano lectivo novos Pantufinhas emprestados se avizinham e quanto aos outros desejo-lhes as maiores felicidades, que a vida lhes concretize os sonhos, que valorizem cada aprendizagem e que aprendam a ser felizes.



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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
Finalistas

 

 

As lágrimas escorrem teimosas, não as consigo parar, não sei como as deter… Invade-me uma sensação de tristeza que não consigo controlar. Os Pantufinhas hoje tiveram a festa de finalistas… o mais velho termina o primeiro ciclo, o mais novo, vai ingressar nele. No meio de tanta gente… sinto uma profunda solidão e um medo terrível do futuro. Medo que a vida lhes seja madrasta, medo de que tudo o que eu ensinei, valha pouco, medo das companhias, dos desafios, dos obstáculos. Meu Deus, como é que estes anos passaram tão depressa? Há tão pouco tempo, naquele mesmo espaço, cantavam-se músicas de Natal, o Pantufinha, no palco, chorava intimidado e só acalmou quando chegou ao colo dos pais. Agora, de novo no palco, capa de finalista aos ombros, sorriso de felicidade, olhares cúmplices com os amigos e uma expressão terna quando me olha, que me comove. E o outro Pantufinha? Aquele a quem ainda chamo «-O meu bebé» e que me responde convicto «-Ó mãe, eu já sou crescido!» Queria tanto fazer o tempo voltar para trás… rodar os ponteiros e tê-los de novo nos meus braços… Sinto uma nova machadada no cordão umbilical, que sangra de dor ao assistir a mais um passo, numa direcção que não me pertence. Dói ver os filhos crescer… dói… dói… dói… num mundo assustador como aquele em que vivemos e para o qual eles não estão preparados, nem nós…



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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
E não Viveram Felizes para Sempre

 

Imagem Retiarada da Internet

 

 

Tocou à campainha, deixei-a entrar. Não disse nada, o seu silêncio fez-me adivinhar aquilo que há muito tempo temia. Enrolou-se no sofá, tapei-a com uma manta e fiquei a acariciar-lhe o brilhante cabelo ruivo, enquanto as lágrimas lhe caiam aos pares. Nada perguntei, nada quis saber, a nossa amizade é grande o suficiente para nos entendermos sem serem precisas palavras. Conhecia no auge da paixão, com a pele resplandecente e um brilho nos olhos que só quem ama conhece. Foi um amor inesperado, sem pré-aviso que surgiu na vida de ambos quando nenhum dos dois tinha condições para o viver. Ele era casado com a filha de um industrial ilustre da terra, tinha filhos crescidos e precisava de um novo amor para alegrar a sua patética existência. Um amor sem compromissos, sem responsabilidades, sem pressões ou censuras era tudo o que procurava. Ela, casada também, mas com um parasita que apreciava a qualidade de vida que a esposa lhe proporcionava, como Directora Executiva de uma empresa em franco desenvolvimento. Não trabalhava, nem gostava de o fazer, vivia de empregos cujos patrões lhe pediam apenas que cumprisse horários e justificasse o ordenado ao fim do mês. Mas isso era demais para quem nada gosta de fazer, assim, de dois em dois meses demitia-se, justificava que ninguém lhe sabia dar valor e ficava em casa a ouvir a sua música clássica. Foi nesta conjuntura de vida que a Isabel e o Afonso se conheceram. Assim que os seus olhares se trocaram nas escadas rolantes da empresa perceberam que estava uma paixão prestes a explodir-lhes no corpo. Amaram-se apaixonadamente durante um ano, aproveitaram todas as oportunidades para trocar um beijo, na sala do arquivo ou no corredor vazio do laboratório, chegaram até a fazer amor nas casas de banho sem que nunca ninguém suspeitasse do que se passava entre eles. Saíram nas representações da empresa a Angola e aproveitaram a oportunidade para fazer de conta que eram um casal com uma vida normal. No final daquele ano tinham chegado a um ponto que qualquer relação clandestina atinge: ou terminar ou assumir. A minha amiga começou a sentir-se mal com as mentiras, descobriu que já não havia nada que a ligasse ao marido e pediu o divórcio. O marido não quis, não aceitou e passou a infernizar-lhe a vida. Confessou-lhe então que o traía e aí o seu orgulho de macho latino cedeu. Para além disso o seu amor por Afonso era tão grande que não queria continuar longe dele e pediu-lhe que tomasse uma decisão também. Afonso começou a vacilar, tinha sempre uma desculpa pronta: a filha estava doente, a mulher estava com uma depressão, não tinha coragem para passar por todo aquele desgaste, nem enfrentar o escândalo na empresa. Diariamente uma chuva de lágrimas e de desilusão começou a cair dos olhos de Isabel, a paixão que viveram foi arrefecendo e entristecendo o amor que os unia. Tornou-se incomportável aquela relação e Afonso decidiu que era melhor cada um voltar às suas vidas. Que vida?!?! Dali para a frente Isabel sabia que nada mais lhe restava a não ser o divórcio, criar os filhos sozinha, entregar-se ao trabalho e assumir que perdera o grande amor da sua vida. Por sua vez, Afonso continuaria a fazer de conta que tinha um casamento feliz e guardaria no fundo da gaveta as memórias daquele ano. O meu pensamento regressa à Isabel ali no meu sofá… adormeceu de dor e de cansaço. Esboço um sorriso amigo, ela pertence ao Clube das Mulheres Fantásticas, sei que vai ultrapassar este momento difícil porque a vida é mesmo assim: dá-nos com a mesma facilidade com que nos retira…um grande amor.

 



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Domingo, 23 de Maio de 2010
Há dias assim

Quando um Homem Ama uma Mulher… já tem uns anos, conta com a participação da lindíssima Meg Ryan e do não menos interessante Andy Gracia. A banda sonora é dos Rockwell e chama-se Knife. Através desta mistura de som e imagem deixei a minha imaginação vaguear. Há filmes assim, envolventes... Há músicas assim, mágicas... Há pessoas assim, inesquecíveis… Há dias assim...

 



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Sábado, 15 de Maio de 2010
Amigas

 

Recordo-me perfeitamente da primeira vez que a vi: entrou na minha sala de aula (com um sorriso de menina) vinha traduzi-la para um aluno surdo. Trocámos sorrisos formais e no final da aula disse-me «-Como é que consegues dar aulas em cima desses sapatos?» estava dado o mote, afinal sapatos é sempre um bom tema para duas mulheres conversarem. Dos formalismos à amizade foi um passo. Entrou na minha vida, e na dos Pantufinhas, como só podem entrar os amigos de coração, que se conhecem de outros tempos, de outros espaços e que são ligados por amizades cósmicas. Tantas coisas em comum: os chás («Ai amiga estou a virar-me do avesso») os cajus salgadinhos («Lá se foi a dieta, venha daí mais uma lata»), o filme O Segredo  (iniciado às 22h, terminado às 4h da manhã, com 9 minutos vistos) a roupa com cheiro a lavadinho (ainda gosto do Confort Essência), as gomas partilhadas com o Pedro, os cromos da caderneta rasgada do João (belo ataque de fúria). Seguiu-se o Sr. MSFT, as noites de Lhasa, de Rosa Passos, de maionese caseira («-Que é isto?»), de viola com a janela aberta em noites quentes de início de Verão. Depois veio o Príncipe Alexívio, que afinal sempre esteve por perto, com o cavalo pronto para te levar para a vida sonhada, e há muito merecida, de espada em riste para afugentar todos os teus medos e de coração aberto para te encher de mimos. «-Mamã, tenho saudades da Princesa Árabe, da piscina dos sapos, dos golfinhos e do Lexívio, Alexívio» dizem os meus pequenos reguilas traduzindo um sentimento que também é meu. E penso: porque é que a distância nos separa sempre das pessoas especiais da nossa vida? Eu sei que é só uma questão de Geografia, que do longe se faz perto e outros aforismos do género, mas há dias em que olhamos para trás e nos sentimos presenteados com as pessoas que se cruzam na nossa vida e que a mudam para melhor. Minha querida D. sei que um dia destes vais passar por aqui, e que te vais encontrar nestas palavras, por isso, deixo nesta página um grande beijinho para ti, para o L. para a D.Z. e agradeço-vos de coração fazerem parte da minha vida e da vida dos Pantufinhas.

 



published by aspalavrasnuncatedirei às 03:20
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